Nenhum caminho é melhor que o outro; dirija-te pois sem vacilações,
àquele que te é dado trilhar.
Figueira.
Pois bem, geralmente nos aborrecemos com a vida que estamos
levando. Sempre achamos que a vida dos outros é melhor.
Esta insatisfação ocorre em todos, é comum, mas não é correta.
Um dos erros que cometemos, ao avaliar esta condição, é o fato de
que sempre desejamos o que não temos e o que temos nunca parece ser o ideal.
Geralmente damos mais atenção ao que os outros tem, em detrimento do
que temos. Quando desviamos a atenção para desejar o que não temos, perdemos a
atenção no que temos, nas suas possibilidades, no seu potencial, no seu desdobramento
e deixamos de compreender que o que temos é o ideal para aquele momento, para
aquela circunstância.
Esta insatisfação que se repete continuamente, é intensa e persistente ao longo da encarnação.
Se abundante ou escasso, o que temos gera regras de conduta para
que o caminho evolutivo possa ser percorrido adequadamente. No entanto, o descontentamento implica em diversos desgastes
de energias e de tempo, imprescindíveis para cumprirmos as metas estabelecidas
para aquela vida, onde o desenvolvimento
cármico e o ascensional ou evolutivo precisa se amparar no que foi destinado.
Temos portanto, segundo as regras e as Leis da vida, o suficiente
para ascendermos desde que a atenção e as energias sejam canalizadas para esta
finalidade, evoluindo no conjunto mente- espirito.
Aqueles que fisicamente tem pouco, podem ser compensados com oportunidades
mais intensas no plano espiritual.
Aqueles que tem abundancia no plano material deveriam estar muito
focados nas atividades do desenvolvimento espiritual, pois pouco lhes faltará
para sobreviver.
O meio termo, ter o suficiente, adeque-se a uma possibilidade de equilíbrio
entre matéria e espirito que alinha as duas fases do desenvolvimento material e
espiritual.
No entanto, o que vemos na maioria dos indivíduos são atividades
intensas no plano material com foco no ser, no ter e no poder, desvirtuando-se
da ascenção espiritual. Isto vem ocorrendo ao longo dos séculos nas três situações
acima descritas.
Esta desatenção é um devaneio, um conjunto de ilusões que tem por
base a distração que leva a exaustão do tempo produtivo e a uma queima
desnecessárias de reencarnações que se tornam inúteis, por serem repetitivas.
Luta-se pelo banal, pelo trivial, pelo luxo, pelo acumulo, mesmo
sabendo-se que daqui nada será levado.
Perceber a finalidade da existência no plano material, passou a
ser uma dádiva, uma benção, algo absolutamente incomum, pois a maioria
mantem-se exemplarmente focada no crescimento da posse, da propriedade e do
luxo ( considerando as características distintas do que é posse, propriedade e
luxo nas diversas classes sociais).
Quando descobrirmos que viemos aqui para aprender e evoluir, para
sutilizar-se, para desmaterializar-se, teremos outra visão sobre a vida
material, sobre a infinitude, sobre a sucessão de acontecimentos que nos aguarda.
Temos de descobrir que estamos aqui de passagem, que somos
viajantes siderais, que percorremos mundo, dimensões, níveis de consciência,
que estamos ganhando conhecimento.
No entanto percebe-se que a ilusão geral tem sido
intensa e poderosa, e tem levado a raça humana a lutar, irracionalmente, por conquistas
efêmeras, pequenas, eminentemente perecíveis e involutivas. Apegar-se a sentimentos mesquinhos, egoístas e rancorosos nos faz desistir de coisas importantíssimas,
nos puxa para trás, nos leva a duelos em batalhas irracionais onde forças
involutivas usam e abusam do domínio que tem mantido sobre todos.
A mágoa é um destes sentimentos que iludem, que limita as conquistas e que faz perder o que se ganhou.
Ocupa todo o espaço do coração e dilacera linhas de contato com a alma.
Por outro lado, o individuo que mantem-se atento no que lhe foi
reservado pela alma, irá descobrir que possui oportunidades fantásticas,
possui desafios que consagrará ensinamentos, possui aspectos que o fará alargar
a visão sobre a vida e sobre si mesmo. Ele compreenderá melhor a razão da sua existência
e isto lhe trará menos tormento e mais equilíbrio.
Extrairá dos seu momentos, da sua situação, o lado bom e benéfico dos acontecimentos. Terá mais chances para perceber uma linha de comunicação com os Planos Maiores. No final irá perceber que será conduzido em alinhamento com as diretrizes deste Plano. Se sentirá pleno e pouca coisa o incomodará.
Diminua suas lamentações, pondere seus infortúnios, preste
atenção, observe, foque-se em detalhes e verá a luz em coisas e situações que
alguns momentos atrás parecia um desastre.
Somos testados o tempo todo e as respostas manifestadas pelos sentimentos definirá o próximo passo.(
manifestação de São Tomás de Aquino para este texto)

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