sábado, 6 de março de 2021

Passos Atuais 256a Parte. Porque temos conflitos?

 

Pois bem, neste texto faremos um breve resumo sobre os conflitos, suas origens, decorrências e formas de abranda-los, além da necessidade de conviver com certa harmonia com algo inerente e extraordinariamente necessário nos mundos cármicos.

Os planetas cármicos possuem entre suas características evolutivas, com destaque, o conflito.

Ao ingressarmos num mundo cármico, como a Terra, mergulhamos na atmosfera do conflito .

O conflito na sua definição mais simples e direta, é um desafio, um desafio de lutas e mudanças para a conquista da harmonia. Sem o conflito não entenderíamos a harmonia e sua  necessidade para viver uma vida plena e de realizações.  

Estes desafios tem sido mal compreendidos por diversas doutrinas, que os caracterizam como pagamento pelos erros cometidos. Em algumas doutrinas usa-se o termo pecado e em outras carma. Na realidade são experiências mal sucedidas, definidas pelo destino de cada um, dada a falta de atenção e de preparo sobre o que que deixamos de fazer ao longo da vida material.

 Carma significa, segundo o hinduísmo e o budismo, a lei de causa e efeito, na qual todas as ações de uma pessoa geram reações correspondentes nesta vida ou em encarnações futuras.

 Ou seja, experiências bem sucedidas geram conhecimento ao passo que experiências fracassadas repetem-se na lei da causa e efeito.

Outra definição essencial para compreender os conflitos é que somos divididos em duas partes, uma material e a outra espiritual. A espiritual alimenta a material e esta submete-se a um ciclo de experiências nas encarnações. No momento da morte física a parte espiritual se retira e o corpo deixa de receber a energia vital que o alimenta, encerrando o ciclo definido. A espiritual levará para próxima reencarnação o conhecimento adquirido, bem como as experiências fracassadas para que sejam refeitas.

Portanto, o conflito é o combustível essencial que alimenta o ciclo da vida nos mundos cármicos, gerando oportunidades, aprendizado e conhecimento.

Quando nasce uma criança, ela entra no mundo dos conflitos. Ficará protegida ao longo de um tempo, tempo este em que seu metabolismo físico encontra-se bem acelerado para a formação e o amadurecimento dos órgãos que a sustentará no ciclo de experiências a realizar. Assim que nasce, a proteção é quase plena, mas ao longo dos próximos meses começa a acontecer determinadas interrupções desta proteção para que a criança possa aprender a se defender no ambiente de conflitos que se encontra. Tal proteção foi adotada no catolicismo e em outras doutrinas, como o anjo da guarda.

Esta criança ao atingir a fase infantil, começa a ficar mais vulnerável aos conflitos e a guarda do “anjo da guarda” é parcialmente repassada para seus pais ou tutores que as acompanhará até a fase adulta.

Nesta fase, dada a dificuldade de pais e tutores em compreender este processo simples, geralmente face a não aceitação da parte espiritual da qual somos compostos, troca ensinamentos essenciais e primordiais por compensações materiais, suprindo necessidades básicas por ilusões voltadas para o apego, para o ego, alimentando o desvirtuamento do próprio ciclo reencarnatório. Por falta de ensinamentos e por excesso de materialismo e ilusões, inicia-se na criança uma falsa verdade sobre a vida, os conflitos e as conquistas definidas por um destino previamente traçado pela alma. Nesta toada os conflitos começam a represar estados de ignorância sobre a vida e, por uma questão de tempo, será ilusoriamente atenuado, até o momento em que a represa desmorona e tudo pode vir à tona de uma única vez.

Geralmente na adolescência e no início da fase adulta, as “represas” costumam desmoronar. Os conflitos tornam-se intensos e ainda são potencializados por uma sociedade absolutamente desvirtuada da realidade da reencarnação, no conceito do aprimoramento da vida material e espiritual. Estes tempos de “explosão” varia de jovem para jovem. Em alguns trará consequências irreversíveis, mas para a maioria sequelas que se arrastarão para além da desencarnação.

Todos somos geradores de conflitos, pois vivemos no mundo dos conflitos, portanto, a administração destes conflitos é o grande desafio.

Para imaginarmos tal situação, vamos considerar que um conflito gera em torno de uma pessoa um redemoinho que aumenta ou diminui de tamanho e de velocidade de acordo com o tamanho do desafio que tem de enfrentar, ou seja, do conflito gerador da experiência em curso.

Digamos que um indivíduo vive num apto com mais 3 pessoas, todas com seus conflitos. O apto é cercado de 4 aptos vizinhos com mais 4 pessoas cada um, ou seja, 16 pessoas se somam neste exemplo e com a familia de 4 pessoas, totaliza 20. Dependendo da situação conflituosa de cada um poderemos ter, na pior das hipóteses, 20 pessoas gerando redemoinhos de conflitos que podem se interligar ao mesmo tempo. Temos assim um quadro potencializado de conflitos onde um interfere ou melhor, somatiza o conflito do outro. Dai vem as explosões, as controversas, as brigas internas e externas dada absoluta falta de administração entre o corpo material e o corpo espiritual do mesmo indivíduo.

Imaginem um bebe, uma criança, um adolescente, vivendo conflitos que não são só seus, mas somatizados por ambientes em conflitos de toda ordem. Vamos estender esta situação para toda uma cidade, depois para um pais, para um continente e finalmente para o planeta.

Esta associação de conflitos com uma população planetária cada vez maior e mas ignorante das suas origens verdadeiras tem consequências sérias de desestabilização.

A Terra vive seu pior momento com uma atmosfera psíquica completamente contaminada por conflitos de toda ordem e origem, onde o egoísmo e a ganancia comandam as forças que a cerca, envolvendo toda a sua população de encarnados e desencarnados.

Nos distanciamos demais da nossa origem, de compreender que somos matéria e espirito e que a matéria não vive sem o espirito. Demos ênfase demais ao mundo material, às ilusões da vida, só temos planos traçados para a vida material e despreocupamo-nos com o único corpo que terá sequência após a morte, o espiritual, esquecendo que será este corpo que acumulará as experiências positivas ou negativas no processo evolutivo.

Estamos vivendo a doce ilusão do shopping center, quando magoados e angustiados.

Vivemos mal por não sabermos viver e saber viver independe das situações externas a que estamos submetidos.

Um individuo compenetrado e alinhado com sua parte espiritual administra bem conflitos externos e conflitos internos. Mantem-se em equilíbrio, dosa sabiamente suas atitudes e utiliza-se de 2 ferramentas essenciais: a sabedoria que aprendeu e o que poderá intuir por estar equilibrado, e a compaixão.  

Não substituirá uma ilusão por outra ilusão, com si próprio e com quem lhe foi confiado. Saberá administrar e neutralizar o que lhe chega por vias indiretas, se manterá acima deste psiquismo negativo do planeta e assim irá decidir e acompanhar com sabedoria o que o destino lhe reservou.

A vida material não acontece sem a espiritual. A vida material apoia-se no conflito e deste apoio poderemos compreende-la e conhece-la com sabedoria.

Voltar-se para os dons espirituais, para uma simples oração, olhar seu tutelados e saber identificar que a matéria supre a menor parte da qual são compostos, compreender que a  harmonia se dá pela paz de espirito para aí sim se refletir na matéria, buscar porque estamos aqui, para que e para aonde vamos, são os ensinamentos para os quais os conflitos tem tentado nos motivar a aprender.

Ao iniciar a busca por estas e outras questões, os conflitos não diminuem mas passam a ser compreendidos, tornam-se secundários e passam a ser vistos como combustível para a ascenção do conjunto matéria- espírito. A harmonia acontecerá no meio dos conflitos, nosso redemoinho, como no exemplo dado, limita-se a poucos centímetros, absorverá os demais, minimizando para toda a população terrestre o que tem sido fatores de intrigas, violências e desmandos.

Atualize-se, manter-se na ignorância e ficar ao sabor dos acontecimentos nos enfraquece, desarticula e promove o caos.


 







sexta-feira, 5 de março de 2021

Passos Atuais 255a Parte. Pietro Ubaldi - A desatualização e suas consequências.

Pois bem, hoje retrataremos os excelentes comentários do prof. e filósofo Pietro Ubaldi num congresso de 1963 que fala sobre a desatualização das religiões, com  ênfase na doutrina espírita. Como este tema participou dos comentários da nossa reunião do 02.03.21, achei por bem coloca-lo nos comentários dos pensamentos.

Cabe salientar que o mesmo processo de desatualização porque passam as religiões, na medida que se cristalizam sob o efeito de conceitos passados, ocorre conosco, na medida que deixamos de atualizar os parâmetros, paradigmas e referenciais que possuímos. 

Um grupo autentico sobrevive da sua dinâmica em atualizar-se, em adequar-se aos momentos planetários, universais e cósmicos, à medida que a renovação dos movimentos da vida acontecem. São movimentos cíclicos, contínuos, constantes, mas de velocidades variáveis. Atualmente vivemos esta dinâmica de movimentos numa super velocidade, dada os parâmetros anteriores, portanto, a atualização no grupo tem de ter esta mesma super velocidade.

Ora, um grupo atualizado é a atualização contínua dos elementos deste grupo. A contribuição de cada um neste processo de atualização é imprescindível, portanto é oportuno refletirem se sentem-se contribuintes desta dinâmica. 

A leitura do texto deve ser de 10 min, uma eternidade para a atual ansiedade, mas recomendo que leiam e apliquem estes conceitos para a parte espiritual da qual somos compostos e a qual iremos levar após a morte.





 Mensagem do Professor Pietro Ubaldi - Congresso CEPA 1963

O progresso das doutrinas que constituem a base das religiões é um problema do qual depende suas vidas. A existência em nosso universo só pode realizar-se conquanto seja um transformismo, um devenir contínuo. Quem se detém morre, abandonado, deixado para trás no caminho geral. O progresso, porém, exige esforço, ao qual é cômodo renunciar. Assim, as religiões tendem a cristalizar-se dentro das verdades já adquiridas, o que significa envelhecimento. Esse é um fenômeno humano pertinente não só de uma, mas a todas as religiões. Acontece que onde falta o impulso de renovação, a iniciativa do progresso cultural e espiritual dirige-se para outra direção, passa a outro campo, como aconteceu em nosso tempo, no qual tal iniciativa deixou as religiões e tornou-se domínio da ciência. O Espiritismo não pôde deixar de envolver-se nesse fenômeno universal.

A verdade não é uma posição psicológica definitiva e estática, mas um conhecimento relativo em evolução. O absoluto pertence somente a Deus, não ao homem. As próprias verdades reveladas só podem ser proporcionais à capacidade de entendimento dos povos que as recebem. Por isso, elas representam apenas posições humanas, relativas e progressivas ao longo do caminho da evolução, dentro do absoluto que abarca todas essas posições relativas e sucessivas, próprias de quem está em movimento progressivo e só pode existir na forma de um transformismo que tende à evolução.

A consequência disso é que não podemos imobilizar a verdade, permanecendo amarrados ao passado, imóveis, sem uma forma de progredir, pois, se não seguimos adiante caímos na paralisia. A verdade não é inerte, porém pesquisa e conquista contínuas. Uma religião, para manter-se viva, não pode permanecer paralisada na repetição do que foi dito, sempre estacionada no ponto de partida, adormecida onde nasceu. Sucede então que, para que a vida não sucumba estagnada no caminho, o pensamento que a dirige migra para fora das religiões, seguindo novas formas de pesquisas, superando assim o velho passado e avançando por outras rotas, diferentes meios e novos obreiros, progredindo por sua própria conta.

É aí que reside o perigo que ameaça todas as religiões, filosofias e formas de pensamento. Eis o que pode suceder também com o Espiritismo, porque ele está dentro da mesma humanidade e leis da vida. Se não se renovar e progredir em paralelo com o pensamento moderno, arrisca-se a envelhecer e ficar abandonado pela ciência e por esse pensamento.

Chegamos agora aos pontos antes mencionados da programação do VI CEPA, isto é:

No 10: Contribuição do Espiritismo ao progresso da ciência. No 13: A filosofia espírita e a civilização contemporânea. No 14: Como conter os avanços do Materialismo. No 22: Prepara o Espiritismo uma nova civilização?

Por que o Materialismo avança? Porque as religiões não possuem uma filosofia racional evidente, que convença com provas. Suas verdades não são demonstradas de uma forma positiva e colocadas em contato com os fatos e a realidade, como o faz a ciência, a qual, por isso, é universalmente aceita. Nossa humanidade está saindo de sua infância. Por isso não deseja mais crer com os olhos fechados, mas saber com eles abertos. É certo que muitos agem por sugestão ou instinto, porém também é verdade estes vivem na imitação, sugestionados e dirigidos por aqueles que pensam, os quais estão sempre crescendo em número. A essa humanidade o leite da fé, próprio para crianças, satisfaz cada vez menos. Acontece assim que as religiões que não possuem um sistema racional convincente, sobrevivem apenas na forma de superstição para os ignorantes e de hipocrisia para os mais astutos.

Quanto ao Espiritismo, em que posição ele se encontra na civilização contemporânea? Que contribuição deu ao progresso da ciência e à preparação de uma nova civilização?

O fato é que o Espiritismo ficou mais ou menos estacionado em sua fase de origem, limitado a dois pontos principais: a teoria da reencarnação e o fenômeno mediúnico. Nada haverá, então, além desses dois fatos? Esgotam eles o problema do conhecimento, respondendo a todas as perguntas e tudo resolvendo? A mente humana, com seu desejo de saber, não pode ficar encerrada dentro dos limites desses dois pontos. Que solução pode dar o Espiritismo a infinitos outros problemas que hoje estão vivos na mentalidade moderna, no terreno psicológico, biológico, social, ético, espiritual, teológico etc.? Como pode o Espiritismo atual ser levado em conta pela ciência, filosofia, sociologia, psicologia, moral etc., se não possui um sistema conceitual completo próprio, que abarque todos os ramos do conhecimento, munido de provas, baseado na lógica, racionalmente demonstrado, apoiado na forma mental e na ciência moderna? Terá ele então que exigir a fé cega, que representa o ponto fraco das religiões?

O Espiritismo não possui uma teologia que nos esclareça a respeito das primeiras origens do universo e do plano geral da criação. Sequer os Espíritos revelaram coisas importantes sobre esse tema. E estes não são problemas distantes, pois, sem conhecer a primeira fonte de tudo, não se pode compreender a razão pela qual nosso mundo está feito da maneira como se apresenta, conhecimento que pode nos conduzir a determinados princípios éticos. A atual filosofia espírita é limitada, não nos dá uma visão completa do Todo, não explica, pelo menos em uma visão de conjunto, todos os aspectos e não abarca todos os momentos da Lei de Deus. Quem entrou nesse terreno viu que há horizontes sem fim, ainda não suspeitados pelas religiões. Allan Kardec deteve-se nas portas desse mundo imenso e não entrou, como também, com certeza, naquele tempo ninguém poderia entrar.

Claro que não é fácil produzir todo esse conhecimento, e de fato a mediunidade não o produziu. Então, onde, está a Terceira Revelação? Não deveria ela ter dado frutos maiores? Não é este um problema a ser solucionado? E se alguém humildemente oferece um tal produto já feito, resultado de inspiração, mas controlado de uma forma positiva, para que possa enfrentar os próprios materialistas, uma vez que usa a forma mental deles (produto desenvolvido com a mesma lógica da ciência, que é a única maneira de ser por ela levado a sério); se alguém oferece um sistema filosófico completo e uma teologia moderna, racional, que convence por tratar-se de uma verdade verificada com fatos, o que não acontece com a das religiões, perguntamos: por que um Espiritismo moderno, evolucionista por sua natureza e apto a atualizar-se e a tornar-se mais amplo e profundo, não deveria aceitar uma vantajosa contribuição que lhe completaria os pontos vagos? Contribuição que não lhe contradiz a doutrina, trazendo-lhe conhecimentos que ele ainda não possui e que seria útil ao seu progresso. 

Trata-se de um conteúdo produzido de forma a encaixar-se dentro do Espiritismo, uma vez que foi obtido por inspiração ou intuição, julgada por ele como a mais alta forma de mediunidade, aquela consciente, controlada pela razão. Essa mediunidade foi utilizada como verdadeiro método de pesquisa, o método da inspiração ou intuição, enfocado e analisado pela razão, de modo a tornar-se racionalmente aceitável pelo moderno positivismo científico. Só assim o Espiritismo poderá avançar paralelo à ciência e exigir a atenção dos materialistas, usando sua própria forma mental e seus métodos racionais. Só assim o Espiritismo poderá sair do caminho trilhado pelos habituais conceitos que se repetem em suas sessões mediúnicas, e colocar-se à altura do adiantado pensamento moderno, no terreno da filosofia e da ciência.

No Sexto Congresso Espírita Pan-americano, perguntamos: por que o Espiritismo não quer tomar a iniciativa de transformar-se em uma religião universal, bastando para isso que se apoie sobre as mais amplas bases científicas e racionais? Desse tipo será a religião do futuro, aceita por todos como o é a ciência, por se apoiar em fundamentos lógicos e inteligíveis. Somente essa será a religião que os materialistas e a ciência poderão levar em conta. Enquanto oferecermos somente uma fé cega e produtos mediúnicos, aos quais se dá valor apenas pelo fato de serem mediúnicos e não por seus conteúdos de lógica e originalidade, como se poderá exigir que os pensadores se interessem por eles? Isso não poderá acontecer enquanto o Espiritismo não produzir algo superior e original, que vá além do que o espiritualismo já produziu e que não será valorizado pelo simples fato de ser mediúnico, mas porque representará um conhecimento que as outras doutrinas espiritualistas não geraram. Poderia ser uma glória para o Espiritismo haver produzido em seu seio, com o método inspirativo ou intuitivo, um sistema filosófico-ético-científico que possa iluminar todo o pensamento humano, como também poderia acontecer com as outras religiões que ainda não possuem tal sistema. Enquanto, porém, cada um acreditar possuir toda a verdade, à qual nada mais se possa acrescentar, tudo isso não será possível. Então qualquer pesquisa nova, como qualquer descoberta, será julgada heresia, e não se poderá realizar progresso algum. Atingindo esse desejável desiderato, o Espiritismo deixaria de ser uma doutrina limitada a uma prática mediúnica, convertendo-se em uma concepção imensa, uma religião universal, já que seria uma filosofia completa, salvadora, convincente até para os materialistas.

Chegou para todas as religiões a hora de renovar-se, se não quiserem ser superadas, ficando esquecidas e mortas. Seguir repetindo os velhos ritos e formas, sem agitar o pensamento e o espírito, equacionando e resolvendo os problemas novos que estão surgindo na mente humana, significa ficar em abandono, fora do caminho da vida que avança. Nossa oferta é feita a todos, com absoluto espírito de imparcialidade e universalidade, acima de toda ideia de luta e de sectarismo exclusivista. A religião mais inteligente aceitará, e será então a "líder", destinada a atuar como centro difusor de maiores verdades que as atualmente conhecidas. Qual será o grupo mais inteligente que aceitará assumir esse papel?

Isso não significa destruir o passado. Conservar é bom e necessário, porém é indispensável também continuar evoluindo. Para isso não se pode viver unicamente da repetição do velho, mas importa também investir na pesquisa e na criação do novo. Uma religião ou doutrina pode firmar-se também no terreno de seus opositores, quando estes lhes oferecem um produto de valor que ela não possui, explicações e soluções que ela não soube alcançar, como uma contribuição útil que pode e deve aproveitar para o seu progresso. De outro modo, ela se mantém fechada em seu espírito sectário, encerrada no estreito âmbito de seus adeptos e seguidores, repetindo de memória as velhas verdades que pôde alcançar. E o mundo, fora daquele grupo, dirá que essa religião está morta, porque nada mais produz.

O perigo comum a todas as religiões é a cristalização, que as leva à velhice e à morte. Para que sobrevivam e se fortaleçam é necessário que avancem, trabalhando no espírito. Sem renovação não há vida. A quietude conceitual é para elas a velhice que antecede a morte. O Espiritismo corre o risco de ficar parado no nível Allan Kardec, como o catolicismo ficou no nível de São Tomás e da escolástica, o protestantismo no nível Bíblia etc. Segundo o Catolicismo, a revelação interrompeu-se com São João. O que produziu, porém, de fundamental importância, a nova revelação de que fala o Espiritismo? Que progresso teve a doutrina desde sua origem? Por que não nasceu uma teologia espírito-científica que explique o que a católica não explicou, para que assim desperte o interesse do mundo daqueles que pensam? Este está com fome de tais coisas que faltam, porque o homem ainda não encontrou resposta satisfatória e lógica, e portanto convincente, às mais elementares perguntas e porquês referentes a nossa existência. Tudo progride, menos o pensamento religioso. Ao imenso avanço mecânico e material, é urgente que se contraponha um paralelo desenvolvimento espiritual.

Esse é o conteúdo de nossa oferta e suas razões. Ela foi feita a todos imparcialmente para que alguém a entenda, a aceite, a sustente, a difunda e a utilize para si. Nada pedimos em troca. Essa oferta representa o fruto de 33 anos de trabalho árduo, vencendo mil dificuldades. Trabalho que hoje está concentrado em 20 volumes, que somam até agora cerca de 8000 páginas.

Nessa Obra há um livro: Princípios de uma Nova Ética, o qual responde ao item no 17, da seção V da programação do VI CEPA. Há vários livros de ciência social, que respondem ao item no 21 da seção VI do mesmo programa. Além destes, quase não há problema que atormente a mente do homem que não tenha sido abordado. Essa é a contribuição com a qual o Espiritismo poderia favorecer o progresso da ciência (seção III, no 10); eis aqui o que uma filosofia espiritista poderia ofertar à civilização contemporânea (seção IV, no 13); eis aqui como se poderia conter o avanço do Materialismo (seção IV, no 14). Eis aqui como o Espiritismo poderia preparar uma nova civilização (seção VI, no 22). Temos exatamente um livro intitulado: A Nova Civilização do Terceiro Milênio. Estamos assim dentro dos temas do Congresso.

Não queremos honras, nem poderes, sequer glórias. O que pedimos é compreensão. O que nos interessa é somente o bem de todos. Nossa oferta pode ser utilizada por todas as religiões. Já por uma dessas, que não a entendeu, tal oferta foi rechaçada. Nosso trabalho não parou o seu avanço, e assim continuou andando, pois ninguém pode deter uma obra de Deus. E ela continuará de um hemisfério a outro, viajando de povo em povo, de nação em nação, mudando de lugar e de idioma, atravessando formas mentais e civilizações diferentes, mas em cada país deixando um pilar de sua passagem, trabalhando com paixão e esperando com fé, até que fatalmente encontrará quem a compreenderá. Essa é a história do caminho e da aceitação de toda ideia nova no mundo.

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FONTE : Libro del sexto congresso de CEPA (1963), pags. 296-304.

quarta-feira, 3 de março de 2021

Passos Atuais 254a Parte. A Luz está presente. Siga-A.

Quando a Luz emerge do interior do homem, dissipa dele a ignorância e a ilusão.

Figueira.

 Pois bem, perante tantas coisas desconhecidas que o Universo contem, poderíamos ficar apavorados diante da fragilidade da vida terrena. No entanto o ser humano criou uma linha de defesa que ilusoriamente o coloca acima da vida universal. Isto gerou o desrespeito e a violência.

Manter certo estado de ignorância pode até funcionar por algum tempo, ou quem sabe algumas vidas, mas o ímpeto de viver e descobrir é inerente ao ser humano, portanto em algum momento a curiosidade passa a ser maior do que a omissão.

Uma criança ao nascer inicia o processo do descobrimento de si e do meio em que vive. Isto é instintivo e não há barreiras que impeça esta ato instintivo, mas com o tempo e desmotivada por uma sociedade conservadora e cheia de preconceitos, sente-se desmotivada e paralisa este processo, dando ênfase a insatisfações geradas por esta repentina parada.

Inicia-se desafios internos na adolescência e continua na fase adulta. Quanto mais envelhece menos disposição sente para aprender coisas novas. Acomoda-se e torna-se mais um entre todos com as mesmices de sempre, mantendo assim diversos preconceitos que se eternizam.

O individuo que se seduz pela Luz, que busca o motivo de estar aqui, de onde veio e para aonde vai, que sente a energia da transformação interior e a alimenta, dificilmente perde este pique, esta curiosidade, e mantem a Busca como algo continuo e constante em sua vida terrena. Torna-se corajoso, pois terá de vencer na solidão, os grandes preconceitos que a humanidade estigmatizou ao longo dos séculos comandada por forças involutivas.

Ao acostumar-se com a Luz em seu interior, será alimentado para que insista e persista no caminho que o destino divino traçou. Será um vida diferente, mais isolada, mais difícil e desafiadora, mas sentirá gratidão e terá momentos de paz.

Tais momentos de paz serão momentos em que sua consciência se ausentará do mundo cármico, pois não há paz em mundos cármicos. Tais momentos serão suficientes para que receba o necessário para continuar sua trajetória evolutiva.

Os segredos do Universo serão todos revelados, mas para cada um destes segredos há necessidade de renovações internas e novos conhecimentos tenham sido adquiridos. Isto ocorre com todos, mas a maioria encontra-se muito desatenta e iludida para perceber suas próprias renovações e oportunidades, portanto dedicar-se ao mundo espiritual além do material é a chave do conhecimento.

O ser humano nunca terá possibilidade de usufruir algo fora da Terra enquanto esta permanecer cármica, pois os mundos não se misturam e suas consciências não se interligam sem que os níveis estejam muito próximos. Investimos tanto em explorações espaciais, em troca de desinvestimentos na melhoria da qualidade de vida na superficie da nossa “casa” atual. Uma grande inversão de valores.

É preciso que cada um se convença e crie um certo planejamento na coleta de informações para conquistas a serem alcançadas. Não há atos de evolução sem dispêndio de energias e empenho na busca por elas. Deixar estes aspectos em segundo plano e o mesmo que o secundário se tornar principal e prioritário.

A evolução espiritual é continua, constante e eterna, ao passo que a evolução material tem começo, meio e fim e fica definida pelo tempo cronológico de cada reencarnação, assim temos de decidir se nos empenharemos somente no que é passageiro ou eterno também.

 Sois frutos do empenho de Deus que vos consagrou como deuses do Universo. Aprendeis a comportar-se como deuses e senhores da vida, dos que os seguem pelos mundos que sois destinados a transformar. ( mensagem de Samana para este texto)