Tudo o que o homem faz por gosto, um dia chegará a ser sua prisão.
Um ser a serviço não tem planos próprios, afinidades ou buscas prazerosas. Tudo
o que vem do homem apenas alimenta nele a parte
humana e enfraquece sua ligação com o Espírito. O bom e o belo existem
no que é superior e somente convertendo-se no que é em essência o homem pode manifestar a verdadeira bondade
e beleza.
— Senhor aqui está Teu servo; que devo fazer?
—Estar imbuído de um amor supremo e transparente, e irradiá-lo.
Figueira.
Pois bem, sabemos que somos muito apegados.
O apego é que nos trava e impede que que as coisas venham e sigam.
Não sabemos soltá-las e com isto perdemos a dinâmica da vida
universal, onde por conceito da Lei da Evolução, nada se eterniza.
O que gostamos geralmente procuramos eternizar, manter, acorrentar,
sem percebemos que tudo deve ser livre, tudo deve ser solto, pois tudo tem caminhos
definidos pelo destino evolutivo de cada ser.
Um semelhante, um reino, um planeta, um sistema solar, uma galáxia,
todas as coisas seguem ritmos distintos, pulsantes, e estão determinados a transformarem-se.
Temos um agravante, no caso da raça humana, que é o egoísmo.
O egoísmo nos impede de continuar, de caminhar e trabalha sempre
retendo o que for. Isto impacta, estaciona. Perde-se o ritmo da renovação.
O egoísmo é o grande mal da humanidade. É a doença que se retém e corrói
o ser humano.
No egoísmo as emoções se manifestam e o ser humano, na fase atual,
nunca esteve tão emocionado como agora. Portanto, estamos numa fase muito
poderosa do egocentrismo.
Quando julgamos que algo é bom, fazemos de tudo para retê-lo, sem
perceber que liberando, algo melhor irá substitui-lo.
Outro aspecto fundamental destes conceitos é a falta de
interiorização do ser humano, a falta da percepção em saber que o que se
materializa sempre será passageiro.
Nossas descrenças, nossos descaminhos, nossas faltas, nosso
desanimo está na falta da percepção da nossa contraparte espiritual. Estamos
tão arraigados ao que se materializa que chegamos a acreditar que é o que
importa.
O que é espiritual tem por base a transformação, ao passo que o
que é material tem por base a destruição.
Quando nos convencermos destes aspectos, provavelmente daremos a devida
importância ao que realmente nos transforma no caminho ascensional.
Hilton