O texto a seguir foi extraído do *Glossário Esotérico – 9ª edição – página 497 – Editora Irdin*. O texto original está escrito em itálico. Os comentários serão feitos no texto, no campo Obs. O itálico foi adicionado ao texto original.
Vínculo
- Disse São
João da Cruz (Espanha, 1542-1591), numa de suas cartas: "Pouco importa se
uma ave está atada por um fio tênue ou grosso. pois, até que o rompa e possa
voar, estará presa, seja por um. seja por outro. É verdade que sendo tênue será
mais fácil de romper; porém, por fácil que seja, se não for quebrado, a ave não
poderá alçar voo. As sim é com a alma que tem vínculo com alguma coisa: ainda
que tenha muitas virtudes, não alcançará a liberdade da divina união. Pois o
apetite e os laços são para a alma como a rêmora que se fixa aos navios, e que,
mesmo sendo um peixe muito pequeno, se consegue agarrar-se a ele, o faz
prosseguir tão lentamente que não o deixa chegar ao porto nem navegar com
liberdade. É uma lástima ver algumas almas como ricos navios, carregados de
tesouros, obras, exercícios espirituais, virtudes e dádivas que Deus lhes dá,
mas, por não terem ânimo suficiente para libertar-se de algum gosto, ou
afeição, ou vínculo - que são a mesma coisa -. nunca vão adiante, nem chegam ao
porto da perfeição; e para isso teriam apenas que dar um bom voo e romper de
vez aquele afeto que as prende ou desligar-se daquela rêmora-apetite que as
impede de avançar".
Ob.: O texto nos conduz a uma reflexão profunda sobre os vínculos que
estabelecemos em cada reencarnação. Eles se manifestam, sobretudo, nas relações
familiares, nos amigos, nas profissões, na pátria, nos sistemas políticos e nas
religiões. Esses laços se transformam em correntes que nos prendem a
preconceitos, dogmas e leis que não se atualizam, retardando nossa ascensão
interior.
Alguns vínculos são como fios sutis, flexíveis e
maleáveis, permitindo certa liberdade de movimento, ainda que limitada. Outros,
porém, são como cordas grossas e rígidas, que não cedem sequer um milímetro,
impedindo completamente qualquer possibilidade de voo.
Mas por que esses vínculos existem? Eles se
originam para que possamos aprimorar o caráter, que evolui com a personalidade,
em cada reencarnação. Um espírito de conduta agressiva ou de má índole
necessita de laços fortes, verdadeiras correntes, para que não multiplique suas
dívidas cármicas a ponto de torná-las impagáveis. Já aqueles que se encontram
ligados por fios mais tênues dispõem de maior liberdade para experimentar,
escolher e aprender pelo exercício do livre-arbítrio, até que, provando
maturidade, possam romper de vez esses fios e conquistar o voo pleno.
Assim, fios ou cordas são formados conforme o grau
de consciência alcançado. No atual estágio da Terra, marcada pelo peso do carma
coletivo, a liberdade plena é inalcançável. Apenas uma pequena parcela da
humanidade se prende por fios flexíveis, enquanto a maioria se encontra atada a
cordas grossas. Isso revela que o caráter médio da humanidade terrestre carece
de muito refinamento, razão pela qual vivemos sob a ordem das leis humanas que
exigem castigos e punições — sem os quais a fragilidade moral da coletividade
pode levar ao colapso da vida planetária.
A transição planetária veio para separar o joio do
trigo. As tentativas de nossos tutores espirituais que foram realizadas ao
longo dos séculos, mostrou-se insuficiente dado o baixo caráter médio da
humanidade. Por isso, a intervenção da Providência Divina tornou-se
indispensável para nos conduzir além do impasse que criamos. O livre-arbítrio
humano se desviou para as ilusões materiais, abafando os chamados da vida
espiritual e eterna.
Com a conclusão desse ciclo de expiação, a nova
humanidade sentirá os ventos da liberdade, apta a voar em direção a horizontes
mais elevados. O vínculo com o Divino jamais se desfaz; pelo contrário, será
fortalecido. A diferença é que, nesse novo tempo, a liberdade será imensa, as
conquistas, extraordinárias, e as Leis serão as Universais e Eternas.
Bond - Saint John of the Cross
(Spain, 1542-1591) said in one of his letters: "It matters little whether
a bird is tied by a thin or a thick thread, for until it breaks it and can fly,
it will be trapped, either by one or the other. It is true that if it is thin,
it will be easier to break; but, however easy it may be, if it is not broken,
the bird will not be able to take flight. So it is with the soul that has a
bond with something: even if it has many virtues, it will not achieve the
freedom of divine union. For appetite and ties are to the soul like the remora
that clings to ships, and even though it is a very small fish, if it manages to
cling to it, it makes it move so slowly that it does not allow it to reach port
or sail freely. It is a pity to see some souls like rich ships, laden with
treasures, works, spiritual exercises, virtues, and gifts that God gives them,
but because they do not have enough courage to free themselves from Some taste,
or affection, or bond—which are the same thing—never progress, nor reach the
port of perfection; and to do so, they would only have to take a good flight
and break once and for all that affection that binds them, or detach themselves
from that remora-appetite that prevents them from advancing.
Note: The text leads us to a
deep reflection on the bonds we establish in each reincarnation. They manifest
themselves, above all, in family relationships, with friends, in professions,
in our homeland, in political systems, and in religions. These bonds become
chains that bind us to prejudices, dogmas, and laws that are not updated,
delaying our inner ascension.
Some
bonds are like subtle threads, flexible and malleable, allowing a certain
freedom of movement, albeit limited. Others, however, are like thick, rigid
ropes, which do not yield even a millimeter, completely preventing any
possibility of flight.
But why
do these bonds exist? They arise so that we can refine our character, which
evolves with our personality in each reincarnation. A spirit with aggressive or
ill-natured behavior needs strong bonds, true chains, to prevent its karmic
debts from multiplying to the point of becoming unpayable. Those bound by more
tenuous threads have greater freedom to experiment, choose, and learn through
the exercise of free will, until, proving maturity, they can finally break
these threads and achieve full flight.
Thus,
threads or ropes are formed according to the level of consciousness achieved.
In the current stage of Earth, marked by the weight of collective karma, full
freedom is unattainable. Only a small portion of humanity is bound by flexible
threads, while the majority is tied to thick ropes. This reveals that the
average character of Earth's humanity lacks much refinement, which is why we
live under the order of human laws that demand punishments—without which, the
moral fragility of the collective could lead to the collapse of planetary life.
The planetary transition has come to separate the wheat from the chaff. The
attempts of our spiritual guardians, made over the centuries, have proven
insufficient given humanity's lowly average character. Therefore, the
intervention of Divine Providence has become indispensable to lead us beyond
the impasse we created. Human free will has strayed into material illusions,
stifling the calls of spiritual and eternal life.
