Aspiração
à busca espiritual e ao serviço altruísta anula o medo.
Trigueirinho.
(texto de Trigueirinho – sublinhado Hilton)
O medo é, entre outras
coisas, o resultado da atividade mental mal direcionada. Quando a mente
é orientada para a meta superior da existência, ele se abranda ou nem surge.
Poderíamos dizer que a ignorância acerca do que realmente somos em
essência é que faz surgir o medo.
Quase sempre nos vemos como indivíduos isolados, e não como células de uma
única Vida. Mas à medida que por amor nos doamos a alguma causa ou
serviço altruísta, vamos tomando consciência da existência de um Universo
Maior, e o medo começa a
dissolver-se.
Há também um medo ancestral
que costuma emergir do subconsciente de todos, originado da memória de
experiências vividas em épocas pré-históricas, em que o ambiente sobre a Terra
era por demais inóspito. Esse medo é ainda atuante devido à falta de
comunicação livre entre a consciência externa e o nível supra mental -
encontrado além da mente normal e concreta. Quando essa comunicação se
estabelece e se firma, quando a pessoa chega à vibração interior e
profunda da alma, o medo
tende a desaparecer.
Importante saber que medos
e sentimentos negativos alheios podem ser incorporados à nossa aura
sensitiva e tomados como nossos. A mente individual tem capacidade para captar
elementos do nível mental coletivo e transferi-los para si mesma. Também
podemos manifestar apreensões pelo que está ocorrendo não especificamente
conosco, mas de modo generalizado. Por exemplo, muitos hoje estão sentindo a
iminente ruína da economia no mundo e costumam interpretar isso como algo que seu
destino pessoal lhe reserva. Nesses pode-se redobrar, então, o medo de sofrer privações.
A humanidade atual sofre de um medo bastante comum: o medo
do fracasso. Esse medo advém de estarmos identificados em demasia com
a personalidade e vivermos em ambientes que nos depreciam. Habituados pela
educação normal, a comparar-nos e a confrontar-nos com os semelhantes, é comum
ficarmos insatisfeitos com nossas possibilidades. Na realidade, cada um é útil
com suas próprias qualidades e virtudes, e as qualidades dos demais têm outra
serventia.
Mas o sentimento de inadequação pode também resultar da imensa
necessidade planetária. Dado o número insuficiente de pessoas disponíveis
para ajudar na grande obra evolutiva, espiritual, a ser realizada na Terra, às
que estiverem dispostas a servir são oferecidas oportunidades que exigem uma capacidade
maior do que a por elas manifestada. E que se conta com seu potencial
oculto. Assumir essas tarefas com coragem atrai uma força desconhecida, que
dissolve o medo do
fracasso logo que desponta.
Aceitar sem receio trabalhos mais complexos do que os de hábito
cura-nos dessa espécie de medo — desde que
as circunstâncias para realiza-los venham dos níveis superiores do ser, e não
de impulsos engendrados pela ambição.
Hilton