Pois bem, como temos trabalhado com a atividade de cura, tenho
observado comentários de diversas pessoas com diversas necessidades.
Uma das coisas que me chamou a atenção é o fato de que algumas
destas pessoas entendem que vivem, digamos, bem dentro das “regras”.
Veganas ou vegetarianas, usando remédios naturais, com
comportamentos rígidos, mantem um ritmo bem controlado de opções de consumo. Procuram
ter uma disciplina saudável e aparentemente controlam os, considerados,
sentimentos negativos.
De certa forma expressam grande auto controle nos seus modos,
forma de ser e de viver. Pelo menos assim se nota quando as olhamos, conversamos
ou as acompanhamos quando estamos juntos.
Tive um sonho onde uma pessoa com estes nobres requisitos se
apresentava a mim com dores nas costas, fazendo menção à coluna vertebral.
O sofrimento era grande e estava inconformada pelo fato de que sua
vida regrada, com todas as disciplinas físicas, alimentares, de postura
corporal não condiziam com o que estava acontecendo.
Ao olha-la sob um ângulo mais profundo a vi da seguinte maneira:
Ela estava vestida com metade da roupa somente: metade de um
casaco, metade de uma blusa, metade de uma saia, metade de um óculos, um único
calçado. A parte coberta bem protegida e aparentemente saudável e a parte descoberta
cheia de feridas, pontos roxos, pele azulada, aparentando sofrimentos e dores
em metade do corpo.
Um detalhe é o fato de que o lado esquerdo estava vestido e o
direito descoberto.
Ao conversarmos, quando ela virava-se para o lado esquerdo
aparentava ser uma pessoa segura, equilibrada, consistente, senhora de si, dominadora
e andando com muita firmeza. Ao virar-se para o lado direito, manifestava tudo
ao contrário, sensível, muito frágil, insegura, dolorida, carente, balbuciando
palavras, num andar capenga e desequilibrado.
Algo estranho de se ver, mas percebe-se duas pessoas em uma. Não
entro no mérito da personalidade, mas da aparência que denota um amplo
antagonismo em uma mesma pessoa.
Podemos dizer que temos vivido em condições semelhantes na medida
que nossa parte material representa um estado equilibrado e a parte espiritual
desequilibrado.
Mas o que somos neste estado?
Acho que não somos nem uma coisa e nem outra. Creio que pulamos de
um lado para o outro na medida que as situações aparecem na nossa vida e os
detalhes do destino se manifestam nas provas necessárias que surgem de repente.
Perdemos a identidade pois temos nos identificado com estes dois
aspectos a todo momento, mesmo estes sendo completamente contraditórios.
Isto é desequilíbrio.
Isto nos tira do sério, nos desarmoniza, nos confunde, nos faz uma
pessoa que vai do “feliz” para o “infeliz”
em segundos.
Voltando para os comentários da pessoa “equilibrada”, descrita
acima, percebe-se que regras, controles, disciplina, ou seja, viver literalmente
dentro de regras sadias e da boa educação não, necessariamente, nos faz uma
pessoa completa, harmoniosa e única (não divisível como no descrito no sonho).
É preciso viver na matéria com as regras do espirito.
O espirito é o centro, o foco, o comando, pois nele se dá o continuísmo
da vida infinita. A matéria, variável em cada reencarnação, ao seguir as regras
da vida espiritual se purifica também.
Temos tentado viver exatamente o contrário, a matéria procurando
dominar o espirito. Isto é impossível.
Como um corpo material que morre, que some, desaparece no final de
cada encarnação tenta dominar o corpo espiritual que ficará eternamente, que é
o “ser verdadeiro” que somos?
É importante chegarmos a esta conclusão.
É importante vivermos esta conclusão e adotar as regras básicas
das Leis Divinas. Isto irá curar a metade direita que hoje está doente,
carente, dolorida e sofrendo.
Esta condição não se distingue em homens ou mulheres, crianças ou
adultos, encarnado ou desencarnados. De forma geral a raça humana vem vivendo
com duas metades desarmonizadas, uma contraria à outra. Isto não é normal.
Os trabalhos de cura tem como premissa básica, atenuar estes
estados de sofrimento diante dos conflitos de duas meias partes em conflito.
O trabalho de cura visa atos de transformação. Considera que a
pessoa em processo de cura precisa mudar sua forma de ser, de agir, de pensar,
de manifestar-se. Ela precisa espiritualizar-se. Ela precisa dar o devido valor
a sua outra parte, esquecida.
Quando isto ocorre as energias de cura alinham-se com os anseios
da alma e um processo de transformação entra em ato. As duas partes são
atendidas. A material começa a purificar-se a espiritual começa a manifestar-se
em igualdade de condições.
Não necessariamente irá “salvar” a vida de alguém, pois não conhecemos
o que o destino reserva para aquela pessoa, mas com certeza se seu destino é a
desencarnação isto ocorrerá com outro significado, outra performance da vida física
na Terra.
Não necessariamente eliminará todas as dores, mas elas serão
suportáveis, pois as duas partes irão colaborar entre si.
Não necessariamente atingirá todos os objetivos pretendidos, mas
com certeza muitos virão.
É fundamental percebermos a necessidade do alinhamento das nossas duas
partes. Uma ajudará a outra. Uma se tornará o complemento essencial da outra e
ambas formarão o “arquétipo” do homem, segundo a Ideia de Deus.
Obs: os sonhos são estranhos, mas cumprem sua parte. Gratidão.
Hilton