Ordens
da ajuda:
Roteiro adaptado do livro “Ordens da Ajuda” - Bert Hellinger, sobre o ato de ajudar e
não o de interferir.
Comentários:
- No livro “Ordens da Ajuda”,
o psicoterapeuta alemão compartilha suas experiências e os pressupostos sobre o
auxilio a alguém, sem prejudicar aquele que precisa ser auxiliado.
- Muitas vezes, no afã de
colaborar com a melhora e evolução do outro, nos colocamos em posições nem
sempre assertivas, favoráveis ou confortáveis para quem recebe o auxílio. É
preciso, então, criar um ambiente seguro e de confiança, onde cada um sinta-se
acolhido, apreciado, amado e não julgado por ser quem é.
- Por isso mesmo temos que
estar profundamente atentos à forma como abordamos cada pessoa que vem em busca
de auxilio. Devemos nos lembrar que cada indivíduo é dono de si e
responsável por seu caminho, e por mais que esteja passando por um momento
conturbado, sempre será o protagonista de sua própria história.
- Bert inicia dizendo: Ajudar
é uma arte. Pode ser aprendida e praticada.
- Faz parte dessa arte uma
sensibilidade para compreender quem procura ajuda; portanto, a compreensão
daquilo que lhe é adequado e, simultaneamente, o que o ergue acima de si mesmo
para algo mais abrangente.
- Nós dependemos, sob todos
os aspectos, da ajuda que recebemos. Só assim poderemos nos desenvolver.
- Aquele que julga não
necessitar, aquele que se recusa a ajudar, fica só e definha. A ajuda serve aos
ajudados e aos que que ajudam, também.
- Há uma qualidade básica na
ajuda: reconhecer no outro a capacidade de lidar com a própria realidade e história. Aquele que ajuda
ilumina um caminho obstruído pela escuridão.
As cinco ordens da ajuda:
Primeira ordem da ajuda - (limite)
Ver-se como uma lanterna a iluminar é
reconhecer a dignidade do ajudado, além de permitir que a ajuda possa ser recebida. Iluminar um caminho obscuro pode ser a solução de percorre-lo. É preciso perceber o limite de até onde pode-se ir.
O ajudante não pode criar grandes expectativas sobre o
resultado da sua ajuda. Ele deixa o caminho livre para que o ajudado se
movimente do jeito que melhor lhe convier. Ao deixa-lo livre o ajudante se sente livre e se movimenta na direção das próprias indicações.
Dessa forma permanece capaz e disponível.
Toda ajuda é limitada, pois só poderá ir até aonde o ajudado permitir . Isto ressaltará a humildade de que nem sempre a solução será aquela desejada .
A humildade contradiz muitas ideias tradicionais
sobre como ajudar. No modelo convencional, ser "bom" significa sempre ajudar, mesmo que não seja solicitado. Frequentemente geramos interferências desnecessárias)
(A desordem aqui começa quando alguém quer dar o
que não tem e o ajudado pega o que não precisa.)
2 Segunda ordem da ajuda (não interferir)
A ajuda está a serviço da
sobrevivência, de um lado; e da evolução e crescimento, de outro.
A sobrevivência, a evolução
e o crescimento dependem de circunstâncias especiais, tanto externas quanto internas.
Quando a ajuda desconsidera essas circunstâncias, ou não as admite, está fadada
ao fracasso.
Assim devemos nos submeter
às circunstâncias e somente interferir e
apoiar à medida que elas o permitirem.
(A desordem aqui seria
negarmos ou encobrirmos as circunstâncias, ao invés de olhá-las com aquele que
procura ajuda. O querer ajudar contra as circunstâncias enfraquece tanto o
ajudante quanto aquele que espera ajuda ou a quem ela é oferecida, ou imposta).
3.)
Terceira ordem da ajuda (adulto ajudando
adulto)
Muitos pensam que aqueles que procuram ajuda devem
ser ajudados como pais ajudam filhos. E, inversamente, aqueles que procuram
ajuda esperam que os ajudantes se dediquem a eles como se fossem seus pais.
Caso isso ocorra, ambos se envolvem numa longa relação, onde aquele que procura
ajuda se recusa a assumir seu lugar de igual para igual no mundo dos adultos.
A
terceira ordem da ajuda seria, portanto, colocar-se como adulto, diante daquele
que busca ajuda e reconhecê-lo como um outro adulto; este assim, terá
condições de se apoderar da possibilidade de mudança, com suas próprias forças.
(A desordem aqui é permitir que um adulto faça
reivindicações ao ajudante como uma criança faria aos seus pais e tratá-lo como
criança, poupando-o do que ele mesmo precisa carregar – a responsabilidade e as
consequências)
4 Quarta ordem da ajuda – não se envolver
A empatia do ajudante deve
ser o menos pessoal possível. Ele não deve se envolver num
relacionamento pessoal, sob o perigo de entrar numa relação de ajuda como pais
e filhos, como foi dito na terceira ordem.
( A desordem aqui é o perigo
de que essa nova empatia seja considerada dura, tanto pelo ajudante quanto por
quem procura ajuda, principalmente se este faz reivindicações infantis. Mas, se
procura solução de maneira adulta, sente essa nova empatia como uma liberação e
fonte de força.)
Quinta ordem da ajuda - não julgar
O ajudante não deve embarcar
nas reclamações de quem procura ajuda, culpando outros por sua situação. Quando
alguém se queixa dos seus pais, ou dos seus filhos, ou da sua vida, ou do seu
destino, e o ajudante se apropria dessa visão, ambos estarão a serviço da
perpetuação da dor ou da doença. Quem reclama, provaelmente não quer mudar ou
fazer nada a respeito.
A quinta ordem da ajuda é,
portanto, o amor a cada um como ele é, por maiores que sejam as diferenças
entre si. Quem realmente ajuda, não julga
(A desordem aqui seria julgar
o ajudado e os envolvidos)
Observações:.
É a alma que conduz a ajuda.
O ajudante precisa estar em equilíbrio.
Para isso, harmonizar-se e jamais se envolver no contexto do problema
Esperar que um caminho
aparece porque a solução dependerá das reações do ajudado. Este caminho será intuído
na medida que o equilíbrio, e não envolvimento, aconteça.
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Bert Hellinger, nascido em 1925, na Alemanha, estudou Filosofia,
Teologia e Pedagogia. Ele trabalhou 16 anos como membro de uma ordem de
missionários católicos com os Zulus na África. Deixou o seminário e desenvolveu
uma abordagem terapêutica baseada nessa experiência com os Zulus, de onde derivam
as três leis sistêmicas (pertencimento, ordem e equilíbrio). Faleceu em 19 de setembro de 2019, com 93 anos.
Colaboradora: Magali