quinta-feira, 24 de abril de 2014

Uma pergunta pertinente.

Assunto: Re: Mudanças sempre serão necessárias e então porque não faze-las?

Oi tio tudo bem???
Estou com saudades das reuniões!!!

Tio acho que o e-mail que você enviou hoje, não é novidade para ninguém, pois é algo que falamos a muito tempo.

Mais sempre uma duvida fica na minha cabeça. sei que temos que nos desapegar e que não temos que focar nas conquistas materiais, mais acho que quando falamos disso fica um pouco mais facil para vocês que já fizeram grandes parte das conquistas materias. Mais para nós mais jovens que estamos começando a fazer as nossas conquistas vejo isso com muita dificuldade. 

Por exemplo sei que o mercado hoje exige pos graduação e por isso não consigo ir nas reuniões onde sei que estaria crescendo muito mais espiritualmente e "optei" por fazer a pós mesmo assim. E não é por isso que não busco o crescimento espiritual ou que eu prefira crescer do lado material.
Você entende a confusão da minha cabeça? 
Continuo fazendo minhas orações e acho que até com mais frequência pela falta do grupo mais acho que uma coisa não "compensa" a outra.

Enfim espero que tenha entendido...
estou com saudades!!
beijos
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Natalia.

Esta situação que você coloca é a situação que todos enfrentam na vida.
Não tenho dúvidas que é a mais difícil de todas.

Quando você fala dos mais velhos, que já fizeram suas conquistas materiais, o drama é outro, conservá-las.
Portanto, vivemos uma vida feita de escolhas e com certeza todas serão difíceis, pois nos alinhamos demais com o mundo material, esquecendo-se do mundo espiritual, desta forma, a sociedade nos cobra somente os resultados materiais, parecendo que não cobranças do mundo espiritual.
Na realidade vivemos com as duas cobranças, do mundo material e do mundo espiritual.
No material é a performance, a disputa, a intelectualidade, a formação e a especialização profissional, pois estamos numa guerra branca (mas sabemos que toda guerra mata), ou seja, um querendo se sobrepor e subjugar o outro. Isto se faz, com salários, com cargos, com muita competividade e inúmeras dinâmicas que participamos que incentiva cada vez a intolerância entre todos. O meu concorrente é meu inimigo, o meu colega de trabalho é meu inimigo, o meu chefe é meu inimigo, a empresa que trabalha só sabe me usar e abusar, portanto é minha inimiga, as minhas amigas são minhas inimigas (nas roupas e nas disputas de infinitos interesses pessoais), enfim tanto dentro de casa (família) como fora de casa (trabalho e relacionamentos) entramos continuamente nas disputas, na competitividade. Nesta relação doentia, “vence” (ilusoriamente) o mais forte, o mais agressivo, o mais ousado, ou seja aquele que tem o coração mais duro ou de certa forma com as melhores técnicas da competividade e da agressividade.
Isto exalta a intolerância, a inimizade, os ciúmes e a necessidade de “eliminarmos” o que me afronta, quem me afronta ou o que me assusta.

Desta forma, como você disse, o mais bem preparado e o mais agressivo, aparentemente ganha. Mas ganha o que?
Na realidade as conquistas materiais serão sempre perdidas, pois não carregamos nada na sequência da existência, quando não as perdemos na própria vida em desenvolvimento.
Nos aspectos espirituais também não ganhamos nada, pois quanto mais nos tornamos competitivos, agressivos, ou seja excelentes guerreiros, mais nos distanciamos da vida pacifica, do amor, da fraternidade, da igualdade, da irmandade entre todos.
Com isto, sempre terminamos uma vida vazia, fútil, inútil, por isso temos tanto medo de morrer, pois no momento da morte iremos prestar contas com nossa alma do que efetivamente interessa, conseguimos realizar. Para a maioria das pessoas não sobra nada, ou é tão pouco que é insignificante perante as oportunidades que o destino tinha reservado e que você poderia ter conquistado para sua vida eterna.

Por isso temos pela frente sempre uma escolha muito difícil. Ou você opta pelo eventual sucesso junto à sociedade ou o eventual sucesso junto à sua alma.
Infelizmente conjugar as duas coisas é uma missão impossível, pois os interesses materiais são tão conflitantes e tão radicais em relação à Lei do Amor, que não há como conciliar o desenvolvimento dos dois interesses.

Natalia não tenho como te dar um conselho que atenda as duas coisas. Você terá que optar por uma ou por outra.
No entanto, fazer certas compensações e não radicalizar aos extremos seus interesses materiais, poderá ser uma atenuante no seu processo desta vida. Alerto que isto sempre te deixará de certa forma incompleta, mas seus esforços no campo da espiritualidade se forem intensos nas oportunidades que aparecerem podem te dar a base para que você tenha uma vida mais equilibrada entre o mundo material e o mundo espiritual e não adotar o que a maioria faz, entregar-se de “corpo e alma” às conquistas materiais.

É por isso que teremos uma virada tão radical neste final de ciclo da Terra, onde todas as pessoas, sem exceção, serão privadas dos seus benefícios materiais atuais, onde cada uma irá contar somente com a sua fé e a sua entrega. Acho que não dá nem pra imaginar o tamanho do sofrimento que muitos irão passar.
Por outro lado, este sofrimento não será nenhuma vingança de Deus, ou algum tipo de punição, mas uma forma e é a única que conhecemos, para aprendermos que as coisas passageiras, ou sejam as conquistas materiais não podem ter a prioridade como as temos colocado.

Ele quer que possamos descobrir a eternidade da vida e do caminho evolutivo e este só pode ser espiritual para ser eterno, desta forma quando a perda material for radical marcará a consciência humana para a realidade da vida eterna. Quem se recusar a aprender com isto, irá refazer o mesmo caminho que está sendo feito hoje, tantas vezes quantas forem necessárias.

Tratar as suas coisas materiais como não sendo suas, mas “emprestadas”, poderá te dar uma visão mais leve sobre as conquistas materiais, uma vez que sendo emprestadas você irá devolve-las um dia e melhor será, se nesta devolução, elas forem entregues melhores do que vieram. Isto se aplica ao seu corpo aos objetos pessoais e aos seus filhos.

Sei que mantive seu dilema, mas entendo que com estas explicações você possa se posicionar melhor naquilo que você faz e dar a importância necessária para suas conquistas materiais, sem radicalizá-las como a maioria faz.


Tio Hilton

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