Pensamento do dia, terça-feira, 3 de junho de 2014 ,
"Pela entrega, a existência do ser se liberta da
ilusão."
Trigueirinho
Pois bem, é interessante como certos assuntos são sistematicamente repetidos, embora esta repetição sempre acrescente algo novo e algum complemento que vai consolidando a informação divulgada anteriormente.
Entendo que esta seja a forma didática e mais adequada
para aprendermos.
O tema em questão, aborda o conceito da ilusão.
Se olharmos sob uma outra ótica que seja um pouco
diferente da que temos olhado, poderemos perceber como a ilusão nos ilude e
trava, num mundo sempre incompleto.
Gosto de exemplificar pois creio que fica mais fácil de
entender.
Vamos supor que neste momento somos uma formiga. Ocupada
em manter o seu habitat, luta constantemente para recuperar território ou
ocupar novos territórios para que a prole se amplie e domine a região que se encontra,
mesmo que seja minúscula se comparado com a extensão do planeta. Vive e morre
em função disto e neste seu mundinho particular, desconhece todo o resto.
Limita suas reponsabilidades e afazeres a este território e procria mantendo a
mesma genética que recebeu. Pronto, seu mundo é este e nada mais existe.
Vamos supor que somos um pássaro. A visão é completamente
diferente do mundo que vive a formiguinha. Conhece rios, mares, desertos, o
solo com todas as suas ondulações, movimentos, o verde, o marrom, o cinza,
identifica o mundo vegetal da menor vegetação à maior, sente o vento se
deslocando, a umidade, o sol escaldante, a chuva em suas variadas intensidades,
identifica vários outros animais, sabe quem são seus predadores, quem são os
pacíficos, tem ampla liberdade, sente os polos magnéticos da terra, mas não os
vê. Migra para este ou aquele local e escolhe a melhor forma de criar e manter
sua prole. Enfim tem uma visão completamente diferente da formiga, em termos de
mundo.
De forma geral o ser humano da Terra tem sido assim. Com
muitas variações do nível de consciência, grande parte da população humana se
assemelha à formiga, limitando seu mundo, suas necessidades, suas intenções à
superfície na conquista e na preservação de territórios. Vive e se desenvolve
num mundo preso à superfície, ao solo e só isto que interessa. Luta ferozmente
se sente invadido e disputa constantemente tudo que julga necessário para seu
bem estar e sobrevivência.
Outros não, a minoria voa, olha para cima, identifica o
céu e além dele, sente o vento, a liberdade, a extensão do seu habitat e
percebe que vai muito além do que conhece. É mais sutil, sente o poder e a
atratividade das energias, das forças invisíveis, da eletricidade, do
magnetismo, das polaridades, sente a presença de outros e não se preocupa
com seu território, pois sabe que poderá ter acesso e estes, do solo e
aqueles do céu. Sente-se livre por dentro, mesmo que externamente sofra algum
tipo de restrição.
Não vê limites em nada do que pensa e do que faz, pois já
percebeu que a extensão do seu alcance é infinito. Admira, pesquisa, descobre,
amplia cada vez mais suas informações e suas sensações. Sabe que além do que vê
tem muito mais, pois já sentiu a grandiosidade do universo que habita, que faz
parte, que pertence.
Estes são os extremos em que a população humana vive e
evolui. Por isso das grandes disparidades na formação de conceitos, de
restrições e de comportamentos.
Esta heterogeneidade de níveis de consciência transformou
o habitat, a Terra, num mundinho pequeno, insonso e disputadíssimo, acentuando
todas as formas de violencia.
Não podemos limitar tudo que devemos conhecer às
sensações dos cinco sentidos físicos: paladar, audição, tato, visão e olfato.
Isto hoje é uma parcela muito pequena, aliás ínfima do
que poderemos sentir e alcançar.
Estes cinco sentidos nos prendem aos aspectos ilusórios
da vida, onde numa época passada foram importantes para aprendermos sobre o
mundo material.
O mundo material hoje já é conhecido, portanto temos de
nos dedicar ao mundo imaterial, impalpável, não visível aos olhos humanos, mas
claríssimo para a alma.
Ou isto, ou continuar a ser a formiguinha que se preocupa
e se ocupa, na grande ilusão que vive, de que alguns metros quadrados além do
seu formigueiro é o mundo todo.
Hilton
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