Pensamento do dia, quarta-feira, 3 de setembro de 2014
"De lenha seca faz-se fogo e de um coração
generoso renova-se a vida."
Frei Luciano
"Con la legna secca si fa il fuoco, con un cuore
generoso si rinnova la vita."
Frei Luciano
Pois bem, lenha seca, podemos dar algumas interpretações
nesta frase.
A lenha seca pode refletir uma pessoa já bem vivida, com
larga experiência na vida, provavelmente com muitas decepções e frustrações em
ações mal feitas, mal intencionadas, ou simplesmente por ignorância errou em
inúmeras situações. Perdeu a seiva (vida interna) e transformou-se em algo
inerte e seco, ou seja, tornou-se uma pessoa dura, vingativa, de mal com
a vida.
A lenha seca pode ser uma pessoa desiludida que lutou,
batalhou muito, produziu bons frutos, mas ficou tão focada nos aspectos
materiais desta produtividade que esqueceu que a vida pulsa internamente e
também precisa ser alimentada com a energia primordial que a sustenta e a
equilibra.
Independentemente da situação ou do estado em que esta
lenha secou, sempre terá possibilidades de voltar a produzir e de recuperar-se.
Deus não desiste de ninguém, seja em que estado estiver sempre será amparado
quando assim o permitir.
O fogo torna-se, neste aspecto um elemento purificador,
queimando e consumindo o que de ruim, inútil e desagregador foi produzido pelo
indivíduo.
Por isso que normalmente estamos em atrito, em confronto,
em contendas, em disputas, pois assim é assim que o fogo fricativo consegue
reorganizar e rearranjar o que está errado no caminho e no destino de alguém.
No entanto este fogo, que consome o que está em atrito,
transforma-se, em seguida, na chama azul, no fogo ascendente, na Luz que
ilumina e irradia o lado generoso do coração, que todos possuem.
O ser humano, nesta etapa da vida, está passando por este
processo da chama ardente, pois todos nós temos muita coisa inútil para
queimar, para consumir, para se desfazer antes de ascendermos um outro degrau
na escada da evolução.
Inexoravelmente, todos irão arder, consumir e queimar o
que não serve mais. Alguns possuem muita lenha para queimar, em processos
longos e com grandes chamas, outros pequenos gravetos de queima rápida e
instantânea, no entanto, o que importa é que todos nós teremos as mesmas
oportunidades de queimarmos o que não serve mais.
Podemos ajudar muito este processo, quando o aceitamos e
colaboramos para que esta chama vermelha consuma rapidamente e se transforme na
chama azul, da elevação. Tudo é uma questão de consciência, de percepção, de
adesão a um processo que será inevitável e todos irão passar.
Ontem na reunião do Grupo, tivemos o merecimento de
acompanhar uma experiência muito bonita.
Durante a repetição das orações com o coral de Figueira,
a imagem de Maria ilumina-se num fogo ardente, de chama azul. Após alguns
momentos, muitos jovens desencarnados, que aparentavam ter entre seus 15 a 30
anos, começaram a surgir.
São jovens, de ambos os sexos, que desencarnaram na flor
da idade em situações inusitadas: acidentes, esportes radicais, guerras, processos
de escravidão, drogas, suicídios das mais diversas formas, enfim tivemos a
presença de jovens soldados com seus uniformes de guerra, de jovens negros com
grilhões da escravidão, de jovens transportando seringas e cigarros de todos os
tipos, jovens com armaduras medievais e bem antigas, jovens que se prostituiram
e foram consumidas pelas doenças, jovens que se suicidaram por diversas formas
e maneiras, mas todos vestidos com seus trajes da época das ocorrências. A sala
ampliou-se e foi abrigando todos estes jovens. Na medida que estes olhavam para
a imagem de Maria e absorviam esta Luz da chama azul, seus rostos
transfiguravam-se e seus trajes mudavam para o branco ou tons pasteis, suaves,
numa demonstração de aceitação da transformação pela Luz e pela Chama que os
iluminavam. Em seguida eram conduzidos para os locais que os abrigaria neste
processo de recuperação no Plano Astral.
Enfim foi uma experiência muito bonita e muito
gratificante, pois pudemos dar nossa pequena colaboração neste processo de recuperação
destes jovens, uma vez que os atraímos, como encarnados, para uma oportunidade
de voltarem-se para este acolhimento que Maria proporcionou.
Percebemos que o prazo de vida que podemos nos manter em
um único estagio e muitas vezes num estágio de sofrimento, pode ser muito
longo, sofrido, cansativo e sempre irá depender da nossa vontade em reverter o
quadro em questão.
Uma pessoa neste planos da vida, ou seja nestes estados
intermediários, onde os espiritas chamam de umbral, os católicos de limbo, enfim
tem vários nomes, mas nada mais são do que estados da consciência que se
prendem somente a estes aspectos, não sentem o tempo passar.
Ficam neste locais e a sensação é de que aquilo é eterno,
infinito e nunca termina. É muito desagradável e desesperador,
mas necessário para ser marcante, pois precisa impregnar o nosso ser para
termos a chance de mudarmos.
Vejam que os jovens negros vieram com seus grilhões, os
jovens soldados com seus fuzis, os jovens drogados com seus instrumentos para
se drogarem, as jovens prostitutas com suas roupas atrativas, os jovens da era
medieval com suas armaduras, jovens com roupas grossas para neve, jovens com
pranchas de surf, jovens com macacões de corrida, enfim percebe-se que
cada um estacionou no momento em que desencarnou e assim ficaram. Quando veem a
Luz, a chama Azul irradiada por Maria e a aceitam, transformam-se, mudam seus
trajes, o semblante do rosto, o brilho dos olhos, como uma confirmação deste
acolhimento, sendo em seguida recolhidos para serem orientados.
Esta experiência deveria ser ensinada nas escolas, pois
quando abrimos nossa mente para as coisas que acontecem no lado de lá, temos a
chance de refletir sobre nossas intenções, mas nossas escolas só sabem ensinar
o que se aplica, mal e porcamente no mundo material, além de recolhermos na
sociedade o mal exemplo do caráter e da dignidade.
É preciso mudanças radicais. Precisamos ser orientados e
ensinados que a vida acontece aqui e lá. Se estamos aqui iremos para lá.
Não podemos apartar a vida material da vida espiritual.
Este erro é grosseiro e tem levado a humanidade a se sentir irresponsável pelos
seus atos.
Enfim as consequências serão sempre inevitáveis.
Hilton