Pensamento do dia 16 de março de 2015.
Sagrados são os estados de tranquilidade e de
impassibilidade, e bem poucos o conhecem.
Trigueirinho.
Ontem aconteceu a esperada manifestação pública sobre a
política brasileira e a corrupção.
Como tem sido do caráter do brasileiro, a manifestação foi
pacifica, apartidária e bem familiar.
Temos neste aspecto, algo positivo e dele se extrai que o
momento de mudanças precisam ocorrer.
Mudanças externas, na vida material, na política, na
sociedade não vão acontecer. Pequenos e insignificantes retoques na maquiagem
existente, sendo ela feia para alguns e bonita para outros, é o máximo que
poderá mudar.
A conjuntura é muito mais complexa do que imaginamos e muito
mais profunda para ser externada e eventualmente mudada. Forças que
desconhecemos movem os ímpetos daqueles que por estas forças se deixaram
dominar.
No entanto, vamos aos aspectos positivos das “mudanças”.
Cada ser humano é um universo próprio, originalmente
constituído.
Temos, mesmo que não saibamos, tudo o que precisamos para
enfrentar, superar, conduzir, alterar, as nossas insatisfações, os nossos
desejos e nossas aspirações.
Nos iludimos demais quando “achamos” que são os fatores
externos da vida que regulam nossas possibilidades, mesmo porque a vida num
corpo físico, é limitado, finito, temporal e de alcance muito pequeno.
O indivíduo deveria viver ao contrário do que vive. Viver no
mundo interno e externar o que vive internamente.
Hoje vivemos no mundo externo, “desconhecendo e desprezando”
o mundo interno.
Ora, se este mundo interno, muito mais próximo da perfeição
e do equilíbrio, não é externado, não podemos em hipótese nenhuma viver bem, ou
adequadamente aos anseios dos que já se despertaram para uma vida pacifica,
equilibrada e evolutiva.
Manifestações externas sem a contrapartida interna, são
vazias, fúteis e são esquecidas em poucas horas. Não florescem, não dão frutos
e não sobrevivem. É o mesmo que colocar uma bela orquídea num vaso de plástico
enfeitado, sem terra, sem água, sem nutrientes que possam manter a orquídea
viva.
Assim tem sido nosso comportamento na vida material, onde
raciocinamos, intelectualizamos, somente, sem colocar o coração no que temos
feito.
Aparentemente parece que irá florescer, mas morre
rapidamente na sequência, pois não colocamos o principal, a energia que manterá
viva as ações que deflagramos.
É preciso uma reforma intima, solitária, única, individual,
onde a chama do amor e da Vida espiritual esteja presente em tudo o que você
pretende fazer. As ações externas serão decorrentes e preservadas do devido
equilíbrio para que, no conjunto, tudo floresça, aconteça e possa ser
eternizado.
Quem sabe podemos aproveitar este desejo de mudanças, para
mudarmos. Não esperarmos que os outros, ou a sociedade, ou os governos mudem,
mas mudarmos em nosso íntimo, em nossa forma pouco inteligente de externar o
que internamente ainda temos dúvidas.
Num conjunto, onde muitos mudam, o conjunto muda.
Isto é natural da vida.
No começo tínhamos seres aquáticos, que mudaram para se
tornarem repteis e em seguida mudaram para serem mamíferos, então na sequência
da vida, se muitos mudarem, o conjunto muda.
O pensamento manifesta os estados de tranquilidade e de
impassibilidade. Ora, isto não quer dizer aceitar e tolerar a intolerância e a
ignorância, mas entender que precisamos da tranquilidade e da impassibilidade
para mudarmos internamente, consolidar internamente estas mudanças, pois
naturalmente elas irão se exteriorizar.
Vamos aproveitar estes anseios pelas mudanças e começar por
nós mesmos, onde não dependemos de nada, de força externa, de vontade política,
de desejos dos outros, de ações do congresso, do senado, da república, para que
isto aconteça. Isto é algo de foro íntimo, do universo próprio, da fé.
Não se preocupem com a coletividade ou a desculpa de que se
eu mudar e os outros não mudarem nada muda.
Quando você muda, você se eleva, você compreende, você é a
síntese das mudanças e isto contamina positivamente, alavanca, altera, assim
como foi com a evolução do ser aquático para o mamífero, ou seja, é inexorável,
pois todos irão mudar.
O tempo é relativo e pode ser mais curto ou mais longo, pois
este depende dos níveis de consciência de quem os vive.
Portanto, mude!
Hilton