Tua vida externa é apenas uma base material para a elevação da consciência.
Figueira.
Pois bem, normalmente concentramos todos os nossos esforços e energias
para realizações na vida material.
Certas conquistas acontecem e nos deixam feliz e outras não
acontecem e nos deixam triste, mas a meta da plenitude com a vida material tem
sido o único objetivo de muitos.
Na maioria das vezes não nos preparamos para que o objetivo
determinado, seja material ou espiritual, seja alcançado.
O objetivo pode, no momento que conquistamos, ser bem menor do que
o imaginávamos. Isto ocorre porque foi na busca, com inúmeras dificuldades,
dúvidas, idas e vindas, barreiras, que o crescimento interior ocorreu.
Na realidade, na busca pelo objetivo determinado, crescemos tanto
que ele se tornou pequeno.
É na busca, na luta, na dedicação e na fé determinada em alcançar
o que pretendemos, que encontra-se a realização.
Quando limitamos nossos objetivos para aquilo que é obvio,
necessário para sobreviver, ou atender desejos duvidosos para saciar ganancia e
egoísmo, a busca e a luta para
alcança-los tornam-se um acelerador de quedas espirituais.
Muitos se perdem neste caminho quando almejam somente o que é
perecível, tem começo, meio e fim e se
desgasta no seu uso.
No entanto, na Terra, ainda temos de dividir nossa atenção para
estes dois lados, o perecível e o eterno. Quando dividimos nossa atenção em
condições de igualdade, compreenderemos que o perecível começara e terminará, enquanto
que o eterno se acrescerá. Esta postura gera o equilíbrio de duas forças antagônicas,
a primeira voltada e dominada pelo ego e a segunda voltada e dominada pelo
espirito.
Necessitamos, na vida material, pelo menos por enquanto, este
antagonismo para que o equilíbrio se restabeleça. Sem ele não poderia haver
livre arbítrio e sem o livre arbítrio não aprenderíamos a controlar nossas
aspirações e a conviver uns com os outros.
O erro que ocorreu neste equilíbrio perfeito, foi o fato de termos
uma tendência muito forte e intensa para o lado perecível da vida. Isto fez com
que focássemos e utilizássemos quase toda nossa energia para somente um dos
lados, desequilibrando as forças antagônicas.
Temos de reconquistar este equilíbrio perdido. É preciso que
certas compensações sejam feitas, no plano da espiritualidade, para que as
forças antagônicas passem a atuar na exata proporção que as mantem em condições
de igualdade.
O momento atual exige maior concentração da nossa atenção e
empenho, no plano espiritual. Temos de compensar este desequilíbrio. Por isso a
incrível falta de paz que vivemos.
A Terra, por outro lado, está facilitando este equilíbrio, uma vez
que as perdas materiais estão ocorrendo independente da disposição.
É preciso, neste exato momento, questionar-se como estamos
impotentes para algo tão pequeno, sutil e quase invisível, que de repente nos afronta
com tamanha força e expressão que nos isola e nos faz questionar todos os
valores, poderes, recursos, conceitos que não serviram perante um ser que vive
em condições microscópicas, onde arsenais incríveis, exércitos super treinados,
ciência da qual nos orgulhávamos, estão perdidos e atônitos com a capacidade de
transtornos causados por esta vida minúscula no planeta.
Creio que acharemos uma solução, creio que sairemos desta
condição, mas é importante percebermos
que somos muito incompletos e impotentes para diversas situações possíveis do
plano perecível.
É preciso voltar-se para o eu interno, aprender muito mais sobre
nós mesmos, pensar mais sobre nossa origem, nosso destino aqui neste planeta,
avaliar os apoios e se tais apoios são suficientes, questionar se os objetivos
que determinamos em alcançar são os que realmente precisamos.
Como diz o pensamento “tua vida externa é apenas uma base material
para a elevação da consciência”; mas será que estou trabalhando e focando na
elevação da minha consciência?
Os meus ganhos e conquistas materiais elevou suficientemente minha
consciência ou me aprisionou em desejos e mais desejos?
Estou em paz?
Se não, porque?
O que espero de mim para o meu futuro: Saúde? Riqueza? Beleza? Bens
materiais? Conforto? Férias? Filhos?
É preciso agregar a isto algo mais, algo que não se apalpa, que
não se vê, que não se sente no corpo, pois é uma expressão do coração. Sem o
conforto e a satisfação interna, nada do que é externo fará sentido. Trará uma
ilusória sensação de bem estar, mas em pouco tempo desmorona.







