quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Jejuar.

Tipos de jejum e a importância da moderação.

Normalmente compreendido como abstinência total ou parcial de alimentos físicos, o jejum, todavia, pode ser feito em vários níveis. Se for inspirado pelo nosso mundo interior e isento de expectativas, tanto o jejum de alimentos quanto a abstinência de palavras, de sentimentos e de pensamentos ajudam na nossa transformação, na purificação do organismo e até mesmo a trazer saudáveis simplificações à vida.

A intenção de purificar-nos, quando autêntica, cautelosa, persistente e tranquila, constitui importante parte do jejum e determina seus resultados. Em algumas pessoas, essa intenção é suficiente para provocar na consciência mudanças que em geral se conseguem pela abstinência ou pelo controle.

Como o jejum é uma via de equilíbrio para nos relacionarmos com as vidas externa e interna, podemos perguntar-nos também: "Como aplicá-lo para encontrar equilíbrio na maneira de lidar com os bens materiais?"
O procedimento é o mesmo  adotado  no jejum de alimentos, no de sentimentos, no de pensamentos     no de ações e no de palavras. Algumas vezes jejuamos de bens materiais pela abstinência; outras, pelo  uso moderado deles ou pela austeridade.

Quando alguém recebe a ordem interior de dispor de todos os seus bens, é porque está pronto para isso. Sabe que tanto para seu próprio caminho como para o serviço evolutivo é a atitude mais indicada.
Sempre houve, através dos tempos, os que agiram assim. Entretanto, esse não é o caminho da maioria. Contudo, em qualquer circunstância, é possível treinar a moderação.
Podemos perguntar-nos: "Utilizo os bens materiais para tornar a vida de meus semelhantes mais digna, menos desgastante? No dia a dia levo em conta que mais da metade da humanidade se encontra em estado sub-humano, sem teto, sem alimentação básica, sem higiene e sem educação? Trato com o devido respeito a água, a energia elétrica, as habitações e as coisas com que lido?"
Reflexões como essas ajudam-nos a não abusar dos bens materiais. E não abusar dos bens materiais é usá-los com desapego e, ao mesmo tempo, sem desperdício.

Para alguns, a moderação é mais dificil que um período de abstinência total. Em princípio, a moderação requer humildade: requer que sejamos verdadeiros conosco e que nos reconheçamos falhos em certas circunstâncias. Essa atitude leva-nos a pedir orientação ao nosso ser interior antes de fazer qualquer coisa.
Por outro lado, a moderação requer também ousadia. Precisamos levar em conta que, se estivermos receptivos à luz interior, nossos recursos serão adequados, mesmo que imperfeitos.
A sabedoria da vida tudo ajusta quando estamos entregues à vontade do nosso ser interior, e até inclui as imperfeições da personalidade. Mas é preciso ousar fazer o que é para ser feito.
Só damos passos realmente quando nos dispomos a ir um pouco além do que estaria ao nosso alcance.
Se buscarmos a moderação, reconheceremos que ousar não é agir irrefletidamente. É confiar no potencial que temos dentro de nós, entregando-o à condução da nossa alma. Ao agirmos permeados desse espírito, descobrimos o sentido de jejuar em ações, de atuar na justa medida para a luz interna revelar-se.
Por último, a moderação requer desapego. E preciso realizar tais ações sem se prender a elas, agir como um semeador que lança os grãos na terra e os deixa entregues à chuva, ao vento e à dinâmica da força de vida que há em seu interior.
Trigueirinho.

Pois bem, o texto esclarece o conceito do jejum, basicamente atribuído por quase todos ao jejum de alimentos.
A vida, muitas vezes, nos imputa o jejum ou a moderação de forma compulsória. Poucos aceitam. A maioria se revolta por não entender que estamos aprendendo a utilizar de forma correta o que nos foi “emprestado” pois desperdiçamos, negligenciamos e não utilizamos corretamente o que é necessário para sobreviver.
A simples aceitação deste tipo de jejum ou moderação compulsória nos ajudará a compreender melhor nossa existência.
A revolta é inútil, perniciosa, frustrante e não irá ajudar em nada, mas quase todos se revoltam, lutam contra, se sentem esquecidos, pois não consideram o que já foi feito com a abundancia que temos, desde que saibamos usar.
O jejum de palavras, creio ser algo muito oportuno para os dias atuais, pois “matamos” com palavras e observações inúteis o crescimento dos semelhantes.
É comum não calar-se, é comum não escutar, é comum dar palpites sem necessidades, é comum brincar com sentimentos, é comum sobrepor-se a alguém, é comum opinar sem necessidade, é comum corrigir mostrando soberba.
É duro calar-se, mas necessário. O momento é de irrestrito silencio para que a alma possa se manifestar e esta se manifestará após o nosso equilíbrio e isto poucas vezes tem acontecido.
Ficar desequilibrado, emocionado, tem sido a postura padrão. O jejum, de forma geral, alivia a tensão e nos ajuda a retornar para este ponto de equilíbrio. A razão e a sensibilidade, no equilíbrio, voltam ser conduzidos pela alma e o Serviço acontece.

Alinhe-se, equilibre-se e silencie-se.
Hilton

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