Tipos de jejum e a importância da moderação.
Normalmente
compreendido como abstinência total ou parcial de alimentos físicos, o jejum,
todavia, pode ser feito em vários níveis. Se for inspirado pelo nosso
mundo interior e isento de expectativas, tanto o jejum de alimentos quanto a
abstinência de palavras, de sentimentos e de pensamentos ajudam na nossa
transformação, na purificação do organismo e até mesmo a trazer saudáveis
simplificações à vida.
A intenção de
purificar-nos, quando autêntica, cautelosa, persistente e tranquila,
constitui importante parte do jejum e determina seus resultados. Em algumas
pessoas, essa intenção é suficiente para provocar na consciência mudanças que
em geral se conseguem pela abstinência ou pelo controle.
Como o jejum é uma via
de equilíbrio para nos relacionarmos com as vidas externa e interna, podemos
perguntar-nos também: "Como aplicá-lo para encontrar equilíbrio na maneira
de lidar com os bens materiais?"
O procedimento é o
mesmo adotado no jejum de alimentos, no de sentimentos, no
de pensamentos no de ações e no de
palavras. Algumas vezes jejuamos de bens materiais pela abstinência; outras,
pelo uso moderado deles ou pela
austeridade.
Quando alguém recebe a
ordem interior de dispor de todos os seus bens, é porque está pronto para isso.
Sabe que tanto para seu próprio caminho como para o serviço evolutivo é a
atitude mais indicada.
Sempre houve, através
dos tempos, os que agiram assim. Entretanto, esse não é o caminho da maioria.
Contudo, em qualquer circunstância, é possível treinar a moderação.
Podemos perguntar-nos:
"Utilizo os bens materiais para tornar a vida de meus semelhantes mais
digna, menos desgastante? No dia a dia levo em conta que mais da metade da
humanidade se encontra em estado sub-humano, sem teto, sem alimentação básica,
sem higiene e sem educação? Trato com o devido respeito a água, a energia
elétrica, as habitações e as coisas com que lido?"
Reflexões como essas ajudam-nos
a não abusar dos bens materiais. E não abusar dos bens materiais é usá-los com
desapego e, ao mesmo tempo, sem desperdício.
Para alguns, a moderação
é mais dificil que um período de abstinência total. Em princípio, a
moderação requer humildade: requer que sejamos verdadeiros conosco e que
nos reconheçamos falhos em certas circunstâncias. Essa atitude leva-nos a pedir
orientação ao nosso ser interior antes de fazer qualquer coisa.
Por outro lado, a moderação
requer também ousadia. Precisamos levar em conta que, se estivermos
receptivos à luz interior, nossos recursos serão adequados, mesmo que
imperfeitos.
A sabedoria da vida
tudo ajusta quando estamos entregues à vontade do nosso ser interior, e até
inclui as imperfeições da personalidade. Mas é preciso ousar fazer o que é
para ser feito.
Só damos passos
realmente quando nos dispomos a ir um pouco além do que estaria ao nosso
alcance.
Se buscarmos a
moderação, reconheceremos que ousar não é agir irrefletidamente. É confiar no
potencial que temos dentro de nós, entregando-o à condução da nossa alma. Ao
agirmos permeados desse espírito, descobrimos o sentido de jejuar em ações, de
atuar na justa medida para a luz interna revelar-se.
Por último, a moderação
requer desapego. E preciso realizar tais ações sem se prender a elas, agir
como um semeador que lança os grãos na terra e os deixa entregues à chuva, ao
vento e à dinâmica da força de vida que há em seu interior.
Trigueirinho.
Pois bem, o texto esclarece o conceito do jejum, basicamente
atribuído por quase todos ao jejum de alimentos.
A vida, muitas vezes, nos imputa o jejum ou a moderação de
forma compulsória. Poucos aceitam. A maioria se revolta por não entender que
estamos aprendendo a utilizar de forma correta o que nos foi “emprestado” pois
desperdiçamos, negligenciamos e não utilizamos corretamente o que é necessário
para sobreviver.
A simples aceitação deste tipo de jejum ou moderação
compulsória nos ajudará a compreender melhor nossa existência.
A revolta é inútil, perniciosa, frustrante e não irá ajudar
em nada, mas quase todos se revoltam, lutam contra, se sentem esquecidos, pois
não consideram o que já foi feito com a abundancia que temos, desde que
saibamos usar.
O jejum de palavras, creio ser algo muito oportuno para os
dias atuais, pois “matamos” com palavras e observações inúteis o crescimento
dos semelhantes.
É comum não calar-se, é comum não escutar, é comum dar
palpites sem necessidades, é comum brincar com sentimentos, é comum sobrepor-se
a alguém, é comum opinar sem necessidade, é comum corrigir mostrando soberba.
É duro calar-se, mas necessário. O momento é de irrestrito
silencio para que a alma possa se manifestar e esta se manifestará após o nosso
equilíbrio e isto poucas vezes tem acontecido.
Ficar desequilibrado, emocionado, tem sido a postura padrão.
O jejum, de forma geral, alivia a tensão e nos ajuda a retornar para este ponto
de equilíbrio. A razão e a sensibilidade, no equilíbrio, voltam ser conduzidos
pela alma e o Serviço acontece.
Alinhe-se, equilibre-se e silencie-se.
Hilton
Nenhum comentário:
Postar um comentário