Compreendendo o significado e a função do sofrimento.
O passo inicial para compreendermos o sofrimento é tomar consciência de
que sofreremos sempre que desejarmos algo. Mas é quase impossível deixar
de ter desejos enquanto estamos na vida, porque o desejo é como uma
secreção sutil do corpo emocional. Assim, como produto da própria fonte de
emoções, o sofrimento sempre reaparece, de uma forma ou de outra, na existência
humana.
Há milênios, Buda revelou que o sofrimento é produto do desejo.
Nós o engendramos ao querer coisas, ao nos envolver emocionalmente com algo ou
com alguém e ao fazer experiências puramente pessoais, sem um motivo nobre e
elevado.
Contudo, podemos
iniciar um trabalho de libertação se canalizarmos os desejos para finalidades e
objetivos cada vez mais elevados. Essa é a forma direta de mitigarmos ou de
anularmos em boa parte do sofrimento. Pouco adianta confrontá-lo diretamente.
A
purificação ou o refinamento dos desejos dá-se por etapas. Começamos com
o desapego das coisas materiais; a seguir, praticamos o desapego das ligações
afetivas e, por fim, o desapego dos preconceitos e esquemas mentais.
Á medida que os apegos mais grosseiros são superados, o desejo é canalizado
para coisas mais nobres. E, numa etapa mais adiantada desse trabalho de
libertação, passamos a desejar não ter desejos.
É então que podemos relacionar-nos inteligentemente com o sofrimento.
Compreendemos, por fim, que ideias, tendências e anseios equivocados retêm o
fluir da vida ou nos desviam do curso correto, distanciando-nos das leis
universais, espirituais, que deveríamos seguir.
Há vários tipos de sofrimento, e cada um tem a sua função. Um deles é o
chamado sofrimento espiritual. Constitui-se das provas pelas quais passamos em
nossa busca do Espírito. Apesar de mais sutil que outros, o sofrimento espiritual
também é gerado pelo desejo. Ele existe devido ao nosso anseio de nos tornar
espiritualizados. Mas quem padece dele não se queixa, porque sabe, no
íntimo, que tal sofrimento o levará a uma maior compreensão da vida e das
coisas.
O sofrimento espiritual não é limitante, como se possa crer, mas
fortalece a pessoa que o experimenta e a deixa receptiva a realidades mais
amplas. Uma das suas funções é despertar a fé.
Outro tipo de sofrimento é o de natureza moral. Forja e purifica
o caráter, faz com que deixemos de ser dúbios ou tépidos em nossos
sentimentos mais básicos. Todos os que têm caráter adquiriram-no vivendo
diferentes gradações desse tipo de sofrimento.
Durante o sofrimento moral temos a possibilidade de fazer opções
importantes para a vida do Espírito. Quando o caráter já está bem depurado, não
lamentamos esse sofrimento, pois sabemos quão precioso é o aprendizado que dele
advém. Sabemos, também, que o padecimento aumenta com a queixa. Com lamentos,
desperdiçaríamos a energia que nos foi dada para suportar o sofrimento. Ele,
em princípio, nunca é maior que a nossa capacidade de vivê-lo.
Por fim, há o sofrimento físico, que quase sempre nos quer
mostrar o que devemos mudar em nossa vida. Este também é proporcional à
capacidade de suportá-lo, mas em alguns casos agrava-se pelo fato de não o
aceitarmos e, assim, pode tornar-se excessivamente pesado.
Precisamos considerar o sofrimento como uma oportunidade de sanar
desequilíbrios antigos causados por nós mesmos, e abandonar a errônea ideia
de que ele vem como mera punição.
Trigueirinho.
Pois bem, numa dosagem extremamente equilibrada, o texto
converge e explica os tipos de sofrimento.
Compreende-lo é essencial, pois nesta 3ª dimensão o
sofrimento é uma constante.
Como foi dito o desejo alavanca o sofrimento, sendo assim ao
trabalharmos nosso controle para amenizar certos desejos, podemos evitar muitos
sofrimentos.
A competitividade é a força motriz dos desejos e ao contrário
do que muitos pensam é absolutamente prejudicial. No geral, materializa o indivíduo
que deveria estar se desmaterializando.
Se pensarmos nos aspectos evolutivos, a materialidade é o
lado mais grosseiro do espirito, portanto, um dia seremos todos espíritos .
Neste dia não haverá materialidade pois esta se sutilizou completamente e
condensou-se no espirito.
Podemos dizer que o nosso corpo físico é o lado grosseiro e rudimentar da alma. Desta
forma, a sutilização da matéria é inevitável, portanto, de forma inteligente,
na medida que diminuímos os desejos, diminuímos os sofrimentos e estaremos,
assim, sutilizando nosso corpo
(entende-se por corpo o conjunto corpo-mente).
Portanto, mudanças de posturas, agregação de novos
conceitos, mudança de hábitos, diminuição da competitividade, silencio, interiorização,
tendem a nos ajudar na diminuição dos desejos e consequentemente do sofrimento.
São tempos de mudanças internas e externas.
Hilton
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