O desapego é tão fundamental para a vida interior, quanto o ar
para a vida na matéria.
Figueira.
Pois bem, despegar-se continua sendo uma atitude difícil para muitos.
No geral somos acumuladores. Guardamos objetos, pensamentos, sentimentos
e descargas emocionais que nos atormentam ao longo da vida.
O acumulo de objetos reflete
uma série de desvios ocorridos em vidas passadas no tocante aos itens posse, propriedade e paixões mal resolvidas.
O acumulo de pensamentos sistemáticos reflete uma série de hiatos
ocorridos em vidas passadas, decorrentes de vidas monótonas, conduzidas por rotinas arcaicas,
repetitivas, onde não ocorreu ou se deu pequenos avanços evolutivos, aquém dos
previstos pela alma.
O acumulo de sentimentos conflituosos revela que deixamos para
trás inúmeros problemas mal resolvidos, adiamos soluções por medo ou por pressão
e cedemos, no livre arbítrio, oportunidades de aprender e evoluir.
O acumulo de descargas emocionais acaba sendo espasmos de energias
acumuladas que não foram, devidamente, gastas nas oportunidades que deveriam
ter sido utilizadas, em vidas passadas.
Sendo assim, carregamos estes “acúmulos” que ao longo da vida
presente precisam ser utilizados ou eliminados. É, também, uma forma de carma
que atua nas oportunidades definidas pelo destino traçado em cada encarnação.
Vivemos certas situações na vida presente que as vezes não faz sentido
tais “acúmulos” manifestarem-se, ou seja, pensamentos, sentimentos e descargas emocionais
ocorrem sem um aparente significado.
Podemos ter ações ou reações não condizentes com a postura atual,
justamente por serem reflexos das vidas anteriores do que se fez ou o do não se
fez, para corrigi-los.
Este modelo de convivência em que se refaz para corrigir, é um conjunto
de novas oportunidade para aprender o que não se aprendeu.
A vida, em geral, num planeta de expiação, é um vai e vem, e esta
rotina de repetições está afeto ao conjunto de decisões que tomamos no dia a
dia.
Quando decido por evoluir física e espiritualmente, neste
alinhamento, separa-se o que deverá ser repetido e refeito, do que não será.
Quando decido por evoluir fisicamente, neste alinhamento imperfeito,
por faltar o espiritual, minha vida acontece com repetições de tudo que se fez
indevidamente, ou não se fez. Assim o destino impõem, inexoravelmente, o que
ficou incompleto, imperfeito, inadequado. Definimos assim, uma vida mais
intensa, desconfortável, cheia de atropelos e medos.
Percebe-se que a maioria tem optado pelo caminho do aperfeiçoamento
material, deixando de lado o espiritual, refazendo sistematicamente,
reencarnações com muitos altos e baixos.
Desapegar-se, em linhas gerais, é esquecer-se.
Na maioria das vezes temos atitudes egoístas. Uma delas chama a
atenção por ser uma atitude largamente praticada, mas alinhada com o egoísmo.
Numa decisão que envolve um grupo de pessoas, seja família,
amigos, colegas, enfim relações que vínculos tenham se formado, na necessidade
de tomarmos uma decisão, consideramos em 1º... , em primeiro..., em primeiro..., nesta
ordem, decisões que atendam os meus interesses. Na maioria das vezes trata-se
de uma reação automática, tendo em vista ser esta a postura que temos utilizado.
Dificilmente pensa-se em grupo, em conjunto, em ordem e em organização
de decisões que poderiam atender a todos.
Somos personalistas e esguios por considerarmos que o “meu
compromisso” sempre se sobrepõem a dos demais.
O desapego é um ato de submissão, é um ato de sacrifício em prol
da maioria, considera a caridade, a compaixão, tendo por premissa básica o auto
esquecimento. Quem assim não procede, não se liberta das amarras do egoísmo por
não se enquadrar nos aspectos citados.
A compaixão se manifesta quando o indivíduo entrega-se à
necessidade de outros, do grupo, da família, dos amigos, dos colegas, para compartilhar
o conhecimento adquirido.
O grupo, em especial, deveria ter este comportamento arraigado nas
decisões de cada um.
Abrir mão desta possibilidade é abrir mão, no mínimo, da atualização
dos conhecimentos conquistados.
Enfim , podemos dizer que as oportunidades tendem sempre a nos
colocar em cheque, como num jogo de xadrez em que a nova jogada se tornará mais
difícil, mais ousada e de maior aprofundamento.
Desapegue-se, e cresça no mundo interno.

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