Não percas tempo comparando-te com os outros.
Figueira.
Pois bem, na vida usamos como referência a comparação.
Há muito o ser humano deixou de ser criativo. Poucos são os indivíduos
que utilizam-se de ideias inovadoras, buscam desafios, não aceitam o status quo,
como a maioria aceita e se resigna com ele.
Comparar-se, tornou-se um hábito exercido com grande intensidade.
Nem sempre utilizamos modelos comparativos adequados para com
nossas intenções mais elevadas. Geralmente os modelos de comparação ficam
restritos a parâmetros que só se aplicam ao plano da matéria. Estes por sua
vez, estão totalmente comprometidos com o egoísmo. Forma-se assim um círculo
vicioso em que modelos e parâmetros já saem com inúmeras possibilidades de
fracasso.
A fonte correta para o desenvolvimento é a intuitiva e dela deve
decorrer modelos e parâmetros que podem ser usados com grande margem de
sucesso.
Mas, como fazer?
Tente separar, com mais intensidade, os sentimentos positivos e adequá-los
às boas intenções.
Por exemplo, se pretendo ajudar alguém, devo faze-lo com muita
disposição, determinação e não adotar posturas que podem deturpar a caridade.
Vê-se que é muito comum fazer descartes de roupas velhas, sapatos velhos, objetos
usados, enfim coisas que na realidade irão desocupar lugar. Vejam como este tipo
de intenção não parte de bons princípios, porque contem interesses que me
atendem em primeiro lugar.
Quando adoto estes parâmetros, comparando-me com outros que
praticam este tipo de caridade, ou esmola, adotei atitudes que não são as
melhores, nem para mim e não para quem as recebe.
Tente fazer algo da qual não haverá nenhuma “segundas intenções”,
algo que seja realmente ofertado, independente de fazer falta ou não.
Tente aprimorar seu desapego e ceda sem deixar vestígios de
sentimentos que o prendem ao que foi ofertado. Se adoro um determinado objeto e
o mantenho simplesmente porque adoro, sem que este seja útil, sentimentos se
prendem a ele e se desgasta como ele se desgastará com tempo.
Podemos nos identificar com alguém que admiramos, que estimamos, que
cultuamos por uma série de objetivos comuns, mas é preciso admirar o que este alguém
possui e não admirá-lo por possuir. Isto gera bloqueios desnecessários que
podem impedir o crescimento interior.
Quando vemos defeitos em alguém, pode ser que parte destes defeitos
estão espelhados, ou seja, vejo nos outros o que existe em mim. Isto é bom
quando usamos este conhecimento para corrigir em nós mesmos o que vemos
espelhado e não gostamos.
Quando vejo em alguém defeitos que já tive e superei, às vezes com
simples atitudes que posso praticar, este alguém poderá perceber estes mesmos defeitos,
tendo assim a oportunidade de corrigi-los.
É preciso compreender que somos seres totalmente individualizados,
somos único em todo o Universo. Não existe ninguém igual a mim, portanto ao nos
compararmos e nos julgarmos, poderemos estar completamente equivocados, podendo
inclusive tentar corrigir defeitos que são, na realidade, qualidades.
Muito se fala em alma gêmea quando certa similaridade aproxima 2
pessoas. É também muito comum quando dois indivíduos apaixonam-se.
Não tem nada
a ver com este conceito de gêmeos, pois esta aproximação ou esta paixão leva em
conta o carma existente entre 2 indivíduos que precisam solucionar suas diferenças.
Solucionando as diferenças de vidas passadas, pode daí em diante despontar o início
do amor.
Quando isto fica muito difícil, ambos tornam-se pais ou filhos, em
encarnações sucessivas, até que estas diferenças sejam amorosamente resolvidas.
Somos indivíduos com níveis de consciência muito distintos e não
existe ninguém que possua o mesmo nível de outro alguém. Sendo assim, somos
pessoas diferentes, com estruturas diferentes, princípios diferentes, carmas diferentes,
almas diferentes, objetivos e conquistas diferentes, mas por obra do carma e pelo
aprendizado do amor nos tornamos próximos e assim continuará até que aprendamos "o que é amar".
Enfim, ajustar-se é necessário, e quanto mais elevadas forem as
intenções, maiores serão os desprendimentos dos vícios e artifícios desnecessários
ao crescimento espiritual.

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