A felicidade é conseguida quando cada qual se torna administrador da própria existência,
podendo estabelecer métodos de conduta saudáveis e segui-los.
Administrar
a própria existência com sabedoria, envolve fatores sociais, políticos, econômicos, artístico,
cientifico e cultural. Saber administra-los é saber conviver com suas oscilações,
além das circunstancias existenciais que se alteram a cada momento.
As circunstancias existenciais são decorrentes do destino, que por
consequência envolve as condicionantes cármicas.
O conceito de felicidade estática é um equívoco, pois deve-se
considerar as variações do amadurecimento psicológico em face das experiencias
armazenadas no transcurso da existência.
Em cada etapa da evolução biológica de um ser, os anos se passam e
o desenvolvimento orgânico e intelectual alteram-se. Um momento de felicidade
muda no segundo momento, pois as exigências e as necessidades passam a ser
outras, então em função da faixa etária do individuo e as conquistas morais,
espirituais, a felicidade passa a adquirir significados diferentes.
A felicidade é um sentimento que deve ser trabalhado em padrões de
harmonia emocional, de vitória sobre os conflitos, de interiorização espiritual, a fim de
saber-se o que realmente tem sentido, em relação àquilo que é de natureza
secundária, e momentaneamente desfruta de especial significado.
O indivíduo com objetivos estabelecidos, empenhando-se em nunca
desistir de seus sonhos (claro que de ideais nobres), mesmo que incompreendido,
perseguido ou desprezado, experiencia a felicidade durante todo o período em
que se demora na luta pela sua realização. Portanto, nem sempre a felicidade
estará no término do objetivo perseguido, mas estará no transcurso da sua
realização.
Vivemos nas grandes populações, encontros rápidos, superficiais, amizades
fracas, muita falsidade, grandes ilusões, porque parece haver uma necessidade
emocional de todos estarem vigilantes nesta relação pessoal com os demais. A
felicidade passa desapercebida. É preciso favorecer o bem estar possível, mesmo
vivendo nas grandes populações.
Quando uma pessoa sente-se
desamparada, ignorada, sem possibilidade de encontrar entendimento, logo se
apresenta a inquietação, provavelmente a revolta intima, quando não resvala para
a depressão.
Torna-se necessário o sentimento de solidariedade e a contribuição
da amizade para que o grupo social seja mais ativo em relação aos seu membros.
Um amparo espiritual e de ideias pode
gerar segurança e proteção. A solidariedade precisa ser cultivada. Proporciona
ampliação da capacidade de conviver com diferentes condutas sem prejuízo da
harmonia de um grupo. É um dos caminhos para a claridade da alegria de viver e
da esperança de ser feliz.
A infelicidade está na ausência de controle sobre o próprio destino,
a incerteza do futuro e na irregularidade do próprio comportamento.
Uma conduta religiosa, destituída de fanatismos e de exclusivismo,
é fator de segurança para o encontro com a felicidade, mesmo sob interferências
difíceis que se tornam suportáveis com resignação dinâmica e coragem para
suportá-las.
O espirito elabora o destino, sendo ao mesmo tempo semeador e o
colhedor de tudo quanto se realize. É a base da evolução, portanto não
materializar-se completamente, como a maioria faz, liberta a única coisa que
permanece na eternidade.
Uma vida ativa, assinalada pela produção equilibrada de “serviços”
(ao próximo), produz pensamentos favoráveis ao bem estar, por expressar autorrealização,
utilidade existencial.
O homem lastrou-se em conceitos equivocados sobre o destino da
Terra, tida, por muito tempo, como vale de lágrimas, lugar desagradável, paraíso
perdido, criando assim arquétipos de infelicidade para ser feliz, num comportamento
masoquista e doentio, sem nenhum sentido ético.
A Terra é escola de renovação espiritual e de dignificação moral,
onde aprendemos a descobrir os valores adormecidos no íntimo, o Deus em
nós, o Arquétipo Primordial.
As preocupações desordenadas e excessivas com a aparência como fator
de autorrealização vem desviando as pessoas da sua realidade, da beleza interior que se reflete no
exterior. Exigências descabidas nos padrões de beleza trazem efeitos devastadores
na conduta psicológica, gerando atitudes infelizes que não se justificam racionalmente. Tais
pacientes, sem dúvida, encontram-se dominados por conflitos de inferioridade,
procurando realizações externas ante a autodesconsideração em que apoiam,
realizando projeções do que gostariam de
ser ou de como estar, impondo-se aflições punitivas.
A
felicidade apresenta-se com simplicidade, destituída de complexidades que
somente a enfeitariam, sem produzi-la em realidade, tal qual um mecanismo de
fuga em relação à sua verdadeira conquista. Assim é possível desfrutar da
felicidade em qualquer situação, desde que se estabeleça que esta não precise ter
permanência duradoura, incessante, sem desafios emocionais e físicos, de
trabalho e de renovação interior.
A vida física é de efêmera duração, sendo uma escolaridade para
ser alcançada a plenitude espiritual em definitivo após o transito carnal.
O texto de Santa Joana de Angelis por Divaldo Pereira Franco,
foi adaptado para os integrantes do Grupo H&F.
Hilton