Um diálogo com um desencarnado:
Hoje
sonhei com o Alberto.
Ficamos
um bom tempo, conversando e andando pelas ruas de uma cidade que nos
encontrávamos.
Ele
me viu, sabia que me conhecia, mas não sabia de onde. Encontrei um Alberto
alegre, feliz, curioso ao ver tantas novidades e eufórico em me contar o que
estava acontecendo.
Estávamos
numa cidade com construções bem diferentes, cores suaves, sem adensamento,
muito horizontal. As ruas e calçadas se confundiam, era uma coisa só. Não vi
nenhum veículo ou qualquer meio de transporte.
Super
arborizada, havia muitos pássaros, flores e pequenos animais silvestres que
circulavam soltos. A água corria por todos os lados em canais ora largos, ora
estreitos. Límpida, cristalina, exalava um perfume discreto.
Interessante
é que eu não via ninguém, mas o Alberto via todas as outras pessoas, conforme
me descrevia.
Caminhávamos
numa rua, tranquilamente. Eu com a sensação de que éramos só nos dois e ele
como se tudo estivesse bem movimentado.
Ele
vestia uma calça escura e uma camisa azul marinho, pra fora da calça com as
mangas levantadas. Bem elegante, de óculos, careca, sorria sempre.
Ele
procurava me descrever o lugar, pois também estava conhecendo. Segundo ele,
estava há pouco tempo ali.
Falava
que o local era muito agradável, as pessoas muito carinhosas e ele tinha uma
sensação de paz e conforto como há muito não sentia.
Todos
se ajudavam e ele tinha muita confiança naquelas pessoas. Falou que antes não
era assim, que sentia medos e desconfiava de todos, mas não lembrava aonde foi.
Perguntou
de onde eu era, mas sabia que já nos conhecíamos a muito tempo.
Falou:
- você é um amigo que me ajudou bastante, mas não sei aonde estávamos.
Falei:
que não me recordava, também, mas que no momento oportuno saberíamos.
Perguntou
se eu estava ali também. Disse que ainda não, só estava de passagem, mas que
algum dia estaríamos juntos.
Falou:
estou vivendo novos momentos na minha vida, tenho poucas recordações, você sabe
se eu sofri algum acidente e perdi a memória?
Falei:
Alberto, creio que sim, mas pode crer que tudo é passageiro e daqui a algum
tempo você se recordará de momentos do passado, agora o importante é você
interagir com este local, estas pessoas, esta situação, pois como você disse é
muito agradável.
Falou:
é verdade, sei que estou me adaptando a uma nova situação. Não sei bem o que é,
mas me sinto bem e aqui recebo muita atenção e carinho. Estão me colocando em
um novo projeto de ampliação da cidade. Percebo que algumas coisas, do nada,
vem na minha cabeça e vou orientando a decoração das novas construções. São
materiais incríveis, de grande versatilidade, de fácil manuseio e até converso
com estes materiais. Tenho a sensação de que estes materiais respondem e
aceitam minhas ideias. É incrível. Me sinto útil e feliz.
Falou:
Por que você me chama de Alberto?
Falei:
creio que quando nos conhecemos você era o Alberto. Por que, aqui não te chamam
assim?
Falou:
Aqui não se usa nomes, todos se conhecem e se identificam, não sei como, mas a
gente simplesmente sente quando é chamado ou necessário. Eu sei sempre para
aonde preciso ir, quando devo voltar, quando sou chamado e quando preciso de
alguém esta pessoa aparece.
Falei:
eu ainda não tenho esta sensação, posso continuar chamá-lo de Alberto?
Falou:
Pode sim, este nome não é estranho, mas parece que faz parte de algo que
passou. Até gosto dele.
Falou:
recentemente senti uma nova ligação dentro de mim. Procurei esta pessoa, mas
não a encontrei. É estranho, pois aqui sempre sabemos quem é.
Falei:
quem sabe esta pessoa está em outro lugar, mas já tem uma forte ligação com
você. Não se preocupe, pois, no momento oportuno você a encontrará.
Falou:
depois desse dia, vieram outras sensações. Apertou o coração.
Falei:
Alberto temos muitas ligações em muitos outros lugares que já estivemos,
também, fazendo amizades com muita gente. Veja eu estou aqui com você mas
não sou daqui por enquanto, então tivemos ligações em outro lugar. O bom disto
tudo é que sempre, em algum momento, iremos nos encontrar.
Falou:
É verdade, é uma sensação muito boa, mas às vezes vem um certo aperto no
coração. Tenho escutado muitas palestras a este respeito. Há pessoas muito
sábias aqui que estão sempre nos ensinando. Quando nos reunimos para estas
palestras posso dizer que o momento é mágico, somos envolvidos por estes
ensinamentos de uma forma que nunca havia sentido. Enquanto vão falando, parece
que já sabia de tudo o que estava sendo dito.
Falei:
É verdade, parece que a gente só precisa se recordar.
Falou:
você tem ligações com estas pessoas que conheci em outros lugares?
Falei:
creio que sim, pois devem ser muitas, mas as que conheço estão bem e sentem
grande carinho por você. Este mundo de Deus é muito grande. O bom é que a gente
não se esquece e quando nos encontramos ficamos muito felizes.
Falou:
é verdade, aqui já encontrei pessoas que me conheciam. Não me recordei delas,
acho que foi este acidente, mexeu com minha memória.
Falei:
sim tudo ao seu tempo, às vezes precisamos estar preparados para saber o que
aconteceu. Tenho certeza que você irá se lembrar de tudo no momento
oportuno.
Falou:
aqui as pessoas são muito simples e sinceras. É tão fácil lidar com elas. Isto
me parece algo novo, pois não lembro de ter tido esta sensação.
Falei:
que ótimo, aproveite bem estes momentos, pois como estamos sempre aprendendo,
entendo que este é um bom momento para você ver a vida de um outro ângulo.
Falei:
Alberto tenho de ir. Preciso voltar para meu lugar, pois cada um precisa seguir
o seu caminho.
Falou:
claro, temos de ir sempre em frente, aliás estou com vários compromissos e logo
mais teremos uma palestra com uma pessoa muito importante que vem de um lugar
magnifico. É uma senhora que todos a admiram. Desta vez vou conhecê-la.
Nos
abraçamos e ele desejou bom retorno.
Falei
que iria levar este abraço a todos que tenho contato. Sim, acenou com a cabeça
e pôs as duas mão no coração.
Fiquei
parado vendo-o se afastar, ou eu estava me afastando daquele lugar.
Então,
fica aqui, em nome do Alberto, um abraço apertado a todos.
Hilton