Pois bem, abordaremos o tema da Cura sob a ótica de Figueira. O texto esclarece e aprofunda a necessidade de conquistarmos um estado harmonioso entre matéria e espírito, para que a cura se manifeste em sua forma mais ampla e profunda.
Comentários serão colocados no decorrer do texto. O
texto original será grafado em itálico.
Transcrição extraída do texto que se encontra no Glossário
Esotérico – 9ª edição - página 107 – Editora Irdin.
CURA No homem,
pode ser definida como o estado de harmonia que surge da integração da vontade
individual na vontade espiritual e cósmica, presente no interior do seu
ser. É a transformação da matéria segundo o seu padrão arquetípico. A cura
funde a consciência humana na anímica (consciência da alma) e permite ao
indivíduo acolher a vida do espírito, Por isso traça o seu caminho de volta à
Origem, libera-o da regência das leis materiais e leva-o a ingressar em mundos
elevados, desconhecidos da mente racional . Para a cura efetuar-se, é
preciso fé e intenção de transformar-se, pois ela não depende
exclusivamente de agentes materiais. A cura do corpo físico-etérico, do
emocional ou do mental, quando verdadeira, decorre da cura Interna.
Comentários: Bem, este parágrafo tem como objetivo consagrar a união da matéria
com o espírito para que um complete o outro, e juntos gerem a harmonia para que
oscilações provocadas por desequilíbrios possam cessar. No equilíbrio, o
espírito supre necessidades da matéria, supera incompreensões, alinha os meridianos
(corpo material com o espiritual), a harmonia se restabelece e o metabolismo físico-espiritual
cumpre corretamente seu percurso de abastecer e manter o que é preciso.
O metabolismo físico suprirá as necessidades físicas
de cada órgão, de cada célula. O metabolismo espiritual suprirá com Luz,
através de tênues fios de luz, o arcabouço espiritual. Este em consonância com
o físico, irá gerar a devida harmonia para que a cura se instale e aconteça.
Assim ambos os corpos voltam aos padrões da sua constituição original permitindo
que novos padrões evolutivos sejam alcançados pelo indivíduo.
Neste processo a principal dificuldade tem sido em
admitir a presença e consequentemente a fusão de duas partes em uma só, que são
indivisíveis e inseparáveis: matéria e espirito. Superada esta dificuldade os princípios
da harmonia começam a se manifestar.
O individuo ao admitir que é matéria e espirito ao mesmo
tempo, liberta-se para novas conquistas no plano da consciência,
consequentemente novos parâmetros e referencias começam a
disponibilizar-se e ele terá acesso às
leis imateriais, em que poderá ultrapassar e superar inúmeros preconceitos que
vem impedindo sua evolução, além de exercerem grande domínio sobre ele na mente
racional.
A fé e a intenção de transformar-se manifesta a
vontade para que este ato se estabeleça.
A fé é necessária para que num primeiro momento ele
acredite, sem saber, o que virá.
A intenção manifestará sua vontade interna de transformar-se,
de não ser mais o que foi, de receber e abraçar o novo.
A cura do corpo físico-etérico, do emocional ou do mental,
quando verdadeira, decorre da cura Interna: ou
seja, quando se fala em cura, refere-se a cura plena, aquela em que os corpos
ficam alinhados e preparados para um novo contexto de se viver uma nova vida.
Não fala-se aqui de mudanças de ambientes, de convivências, de relacionamentos,
fala-se de mudanças de hábitos, posturas e atitudes independentes do meio
ambiente que se encontra.
Ao iniciar seu mergulho na matéria, nos primórdios da
evolução, a alma, ainda adormecida, absorve na periferia do seu campo magnético
uma série de elementos característicos dos níveis densos nos quais se está
projetando. Ao longo das encarnações,
esses elementos tomam-se recalcitrantes, rígidos, e restringem a passagem da
luz Interior. A dissolução desse material que se lhe agregou é a cura básica
que uma alma necessita. Tal processo está diretamente ligado ao exercício do
desapego e ao contato com a energia da repulsão proveniente da mônada . Só com
certa cristalinidade magnética, ou seja, apenas depois de o corpo causal (corpo
da alma) ter-se isentado em determinado grau das impurezas que o circundavam, a
alma pode atuar livremente como Intermediária da energia da mônada, sem maiores
vínculos com os níveis materiais. As enfermidades somente deixarão de existir
quando os níveis concretos do planeta atingirem grau de sutilização compatível
com o do elemento-luz do interior dos átomos . Muitas vezes, uma enfermidade
nada mais é que expurgo de elementos grosseiros para um novo equilíbrio
instalar-se. Quando um indivíduo se desliga de limites formais e mergulha na
própria essência é que passa a viver em cura e a saber que ela é o ajuste da
matéria à realidade interna, a um padrão de perfeição divino. A cura aproxima a
criatura da face sagrada que lhe corresponde, é expressão daquilo que anima o
cosmos. Manifesta-se como ciência, como arte, como filosofia e como
religiosidade. Nasce do silêncio, no Indivíduo que, tendo-se esvaziado, se
volta então para o Alto e se deixa preencher.
Comentários: O paragrafo inicial refere-se ao início das encarnações, onde a
alma, desperta, inicia o fornecimento da energia vital que dará vida ao corpo físico.
Os níveis da matéria são densos, lentos, grosseiros, ainda mais num planeta
cármico como a Terra. Esta densidade elevada restringe a emanação da Luz que
alimenta a matéria pelo espirito. Basicamente a cura é um processo de
reconquista da origem primordial . Nossa vida terrena, com tantas ilusões e
preconceitos vai acentuando estados grosseiros de pensamentos e
consequentemente de comportamentos que desrespeitam as Leis espirituais. A
principio isto pode parecer um “erro de Deus”, mas na realidade é uma etapa do
nosso crescimento e elevação evolutiva. Esta etapa se caracteriza pela
necessidade de exercermos o máximo dos esforços físicos, mentais e espirituais
para mudar o estado cármico que nos encontramos, portanto, está plenamente
dentro da rotina evolutiva.
É citado no texto as benesses de uma enfermidade, em
especial para o grau de libertação que ela provoca, portanto, compreender um “estado
enfermo” torna-se o princípio da sua cura.
É preciso expandir corajosamente a nossa existência. É
preciso pensar que temos vivido vidas anteriores e que iremos viver vidas posteriores
a atual. Pensar desta forma, tira a ilusão do acaso, da sorte, do azar, da preferência
divina por este ou aquele, além de tornar compreensível porque tantas diferenças
no mundo.
Portanto, a cura é um contexto, é um alinhamento entre
corpo-mente-espirito, explica a origem, explica os objetivos, justifica a vida
e define a graça e a misericórdia de Deus. Compreenderemos que estamos em
evolução, que estamos de passagem, que estamos aprimorando um amplo
aprendizado.
Nosso caminho é longo, mas não necessariamente doloroso
e sofrido como o conhecemos. Superada a fase inicial, que é a do mundo cármico,
partiremos para mundos evoluídos onde a vida será completamente diferente e sem
nenhum grau ou nível de comparação como a conhecemos, mas para isso é preciso
curar-se.








