No caminho espiritual, a percepção interna é como a bússola para
os navegantes: indica-lhes o rumo a seguir. Para que se estabeleça uma relação
consciente com o mundo interior é preciso devotar-lhe obediência — e isso
alguns seres já fazem, por haverem desenvolvido tal qualidade nesta encarnação
ou em anteriores. Todavia, muitas vezes contatos internos importantes não são
percebidos por simples falta de atenção. É como se uma orientação superior chegasse a
se manifestar, mas não fosse acolhida por mera negligência.
Basta que o indivíduo olhe o outro imparcialmente para saber
aquilo de que ele realmente necessita.
Tal possibilidade deve ser considerada, lembrando-se, contudo, de que a
percepção interior não pode ser forçada ou induzida artificialmente, pois seria
desastroso se o consciente projetasse qualquer dedução neste campo. A serena
atenção ao próprio e a oferta de si
desapego pelos resultados, porém mantendo-se
a corda de um instrumento na correta tensão, são requisitos para que os
contatos internos sejam percebidos, o que se toma essencial nesta época e neste
mundo, já desorientado.
Figueira.
Pois bem, a percepção interna é algo intrínseco a todos. Nascemos
com esta qualidade adquirida ao longo do nosso desenvolvimento, por eras de
medos, atropelos, sustos. Portanto é um atributo interno existente em todas as
pessoas, mas como temos sido muito materialistas, do tipo “ver para crer”, este
atributo, quando se manifesta, geralmente é desprezado.
Poderíamos sair ou não entrar em diversas situações de conflito,
de perigo, se déssemos “ouvidos” a estas percepções.
No entanto o ser humano prefere seguir as regras impostas por uma
sociedade deturpada da realidade honesta, para atender a realidade desonesta quanto
aos princípios básicos da Lei da Vida.
Frequentemente fazemos o que não queremos e não fazemos o que é
certo, pelo simples fato de não contrariar a expectativa da maioria, que hoje
apoia-se num estado de amplo egoísmo e ferrenha competitividade.
Vivemos num mundo onde competimos o tempo todo, com todos indistintamente,
independente da relação que existe.
Esta ferrenha competitividade tem se sobreposto à razão da alma e
às percepções internas; com isto corremos perigo ao deflagrarmos inúmeras ações
contrarias ao que nosso coração deseja.
Como cita o texto: “É como
se uma orientação superior chegasse a se manifestar, mas não fosse acolhida por
mera negligência.” Isto é algo mais comum do que imaginamos e se aplica a
pequenos ou a grandes movimentos da nossa parte.
Geralmente só damos atenção quando podemos dar satisfações de
nossos atos. É preciso ter em mente que nem sempre isto é possível, pois para
se compreender certas atitudes, posturas ou movimentos, há necessidade de que
os níveis de consciência estejam próximos.
Na disparidade de níveis de consciência, a incompreensão reina e não há
como justificar.
Isto é algo muito mais comum aqui na Terra, do que se imagina. O
progresso da humanidade sofre inúmeras interferências dela própria, tendo em
vista a disparidade de níveis de consciência e a predominância dos níveis muito
baixos, do que das ações planetárias.
Esta enorme disparidade cessa na nova era, nova Terra, onde deverá
manter-se níveis de consciência muito próximos para que a harmonia possa reinar
entre todos.
Como cita o texto: “Basta
que o indivíduo olhe o outro imparcialmente para saber aquilo de que ele
realmente necessita.”, ou seja, não se usa somente a razão ou a emoção, mas
usa-se o coração.
O coração se expressa no indivíduo através percepção interna. Ele
saberá exatamente o que fazer, quando, de que forma e em que momento, ao seguir
o seu coração.
Obviamente isto não significa atender nossos desejos mas perceber
as reais necessidades de cada um. É a alma se expressando.
Vivemos numa época confusa, com mudanças incríveis acontecendo,
onde os “contatos internos” são essenciais. Tais contatos precisam ser o nosso “norte”
e a mente a bússola para identificarmos a direção certa a seguir. Não será
pelos 5 sentidos que a percepção se manifestará, pois estes são completamente dominados
pelo corpo emocional.
Variamos da doçura extrema
para a raiva intensa, em segundos.
Se formos contrariados rejeitaremos o que for.
Amamos e odiamos com a mesma intensidade, como se isto fosse “natural”.
Portanto para atender as percepções internas, por princípio, nos
será exigido o aquietamento, a respiração compassada, o alinhamento. Esta, sem
dúvida, é uma postura equilibrada.
Faça acontecer.
Hilton