Há indivíduos que se comportam como alguns desportistas que, tendo
recebido medalhas e troféus, permanecem adorando tais objetos, presos aos
lauréis das vitórias passadas, sem perceber que se cristalizaram no que,
alimentado por suas próprias ambições, ofuscou-os com seu brilho.
Esses tomam suas experiências interiores como troféus;
carregam-nas e revivem-nas como se
fossem as únicas e as maiores, deixando assim de viver aquilo que o
Espírito lhes estaria reservando a
instante — a fresca água da Fonte que não deixa de jorrar e que sempre
nova se apresenta.
Nessas recordações, que para a vida verdadeira não tem valor
algum, percorrem anos e anos, senão vidas, até que uma Vontade Maior os
arrebata dessa ilusão e os leva a finalmente despertar. Enquanto permanecerem
cultivando as experiências interiores como prêmios conseguidos, estiveram, em
verdade, amando o próprio ego em lugar de amarem Àquele que em Amor lhes doa
vida.
Figueira.
Pois bem, o tema do texto tem sido o comportamento de muitas
pessoas que se dão ao luxo de dizerem que sabem das coisas.
Na realidade estamos num nível, do aprendizado universal, extremamente
infantil, grosseiro e de pouca repercussão nos níveis internos da Vida.
Nossas conquistas sequer rasparam o imenso cabedal de cada conhecimento.
É preciso estar consciente destes fatos, pois a mente humana
perde-se com facilidade no pouco que conhece.
O que conhecemos nunca será suficiente, no entanto ao nos darmos
conta de que sempre mais será necessário, alavancamos imensa ajuda para
fazermos o CERTO no exato momento de fazer o que precisa ser feito.
Os grandes feitos da humanidade, aqueles que trouxeram qualidade
de vida, que alavancaram impulsos no desenvolvimento da matéria, tiveram sempre
interferências do Plano Maior. As ajudas que vieram das estrelas, apoios de inteligências
extraterrestres, estalos espetaculares da ciência, beneficiou a humanidade como
um todo em vários aspectos do seu desenvolvimento material e espiritual.
O homem na Lua nos fez olhar para o céu, para as estrelas, para as
fronteiras além do horizonte terreno conhecido.
Era preciso que isto acontecesse pois a humanidade precisava ser
preparada para o contingenciamento da transição planetária.
Nossas conquistas em todos os campos da ciência, da tecnologia, da
mente, tem sempre como principio alavancar as possibilidades da evolução
espiritual. A reencarnação funciona com este mesmo princípio, começa como a
oportunidade de alavancar novos conhecimentos e princípios e termina quando
estes ficam rodando sem novidades.
Claro que aproveita-se para sanar as falhas anteriores e corrigir
os rumos equivocados, mas o princípio básico é a conquista de novos fatores
evolutivos no campo da espiritualidade ou da eternidade.
Quem não compreende estas condições, não consegue compreender o
motivo da sua existência. Com isto não poderá ajudar alguém, pois não ajuda a
si próprio. Torna-se assim um elemento desnecessário ao todo.
O que temos conquistado não pode “empoeirar”, não pode servir como
júbilo ou regalias. Os recordes serão sempre batidos, pois a humanidade
encontra-se em evolução e evoluir é sempre uma nova conquista.
— a fresca água da Fonte
que não deixa de jorrar e que sempre nova se apresenta. Temos de estar
sedentos desta água fresca. O que sabemos hoje serve para hoje, para amanhã
precisamos aprender hoje o que será necessário.
É interessante como nos desinteressamos facilmente e como temos
uma tendência muito forte em cair na rotina.
Ocupamos nosso tempo e espaço com as rotinas do dia a dia,
enfaticamente trancadas no mundo material. Bastaria poucos minutos por dia,
para que aspectos espirituais viessem à tona, quando nos dedicamos a busca-los.
Podemos começar algo com um bom entusiasmo, com muitas vontades,
mas rapidamente colocamos na rotina, tornando-os mecânicos, repetindo, repetindo
e em cada repetição anula-se a criatividade, ou seja, desprezamos a água fresca
da Fonte para tomar a água parada e estagnada.
Precisamos compreender o significado da Vida. Não estamos aqui
para passar o tempo, estamos aqui para aperfeiçoar o que aprendemos e para
aprender novas possibilidades. Tudo que fazemos precisa ter um significado
espiritual, pois sem este significado a atividade será uma perda de tempo, em
uma vida tão curta e tão valiosa.
Hilton